Aquarela de poesias

Aquarela de poesias
Poesias para você

terça-feira, 6 de março de 2018

FALANDO DE MENINA-MULHER

        FALANDO DE MENINA-MULHER
A menina apanha uma flor no canteiro da rua; a mulher se enfeita para receber as flores do namorado.
A menina sorri para sua amiguinha da Escola.
A mulher busca conquistar um sorriso de seus entes queridos.
A menina procura nos pássaros o canto mavioso.
A mulher procura o canto da liberdade que lhe fará justiça.
A menina embala a boneca para ter a quem cuidar.
A mulher se faz boneca e insinuante, para conquistar aquele que irá embalar seus dias.
A menina toma banho na cachoeira e brinca à beira das águas.
A mulher quer preservar a água que a os homens poluem.
A menina brinca de se pintar e pinta seu ursinho de pelúcia.
A mulher prefere pintar uma outra realidade que a livre da subserviência. E prefere que seu ursinho seja alguém palpável, fofo e receptivo ao toque de magia que só ela sabe revelar.
A menina quer se sentir amada por seus pais e irmãos.
A mulher quer olhar ao redor até descobrir algum sinal de amor de quem lhe fez promessas e não as cumpriu, ainda.
A menina quer brincar na chuva.
A mulher quer ver uma chuva de pétalas de rosas espalhadas no caminho que leva ao quarto secreto, de prazeres não menos secretos.
A menina quer correr para abraçar sua vovó.
A mulher quer abraçar um trabalho justo, uma oportunidade de estudo e um cavalheiro gentil, ao cair da noite.
A menina aplicada quer um elogio porque tirou boas notas no boletim escolar. E pede um presente para sua mãe.
A mulher guerreira e inserida na comunidade, deixa claro que dispensa presentes com laços de fitas. Ela prefere lutar para que as crianças tenham escolas asseadas,os benefícios da saúde pública, moradia em boas condições e segurança.
A menina brinca de roda e pula corda, faceira.
A mulher, já não brinca. Está preocupada em enfrentar os labirintos da vida, até encontrar uma saída digna para reunir os sindicatos em prol da coletividade, tendo como linha de conduta, a promoção de políticas humanitárias. E, ao invés de pular corda, quer arrancar as cordas da intolerância, da ambição, do poder desmedido, da bajulação e das falsas premissas que enganam as massas de manobra, onde a alfabetização ainda nem ganhou uma senha.
A menina é um tesouro precioso e o mais perfeito sinônimo de pureza.
A mulher precisa ser lapidada, acolhida, valorizada e colocada num altar, de onde nunca deveria ter sido retirada.
Só grandes homens atraem grandes mulheres!
E mulheres não são mercadorias de compra e venda. Mulheres são artigos de luxo. E devem ser conquistadas com gestos de dedicação e com palavras de comprometimento, onde a verdade seja o tom maior, onde o amor valha o primeiro encontro e muitos outros mais. Onde o o enlace seja pleno em lealdade e confiança.
A menina chora de emoção ao abraçar sua mãe.
A mulher chora de tristeza porque gostaria de não ver as injustiças que outras mulheres sofrem, bem como maus tratos e descaso. Ela quer um mundo melhor e melhores oportunidades, tais quais as que são dadas aos homens, na mesma situação, com idêntica graduação e experiência.
Desejo que a menina aproveite sua infância!
Desejo que a mulher cresça por sua competência e dedicação.
Ser menina é ter os mais belos sonhos e esperanças.
Ser mulher é sonhar que a esperança num futuro digno, nunca vai acabar.
Ser mulher é abandonar o caminho das ''Amélias', é dispensar o título de '' rainha do lar''.
Ser mulher é ser aceita como um ser inteligente e capaz de lutar por um lugar ao sol.
Ser mulher é brilhar na escuridão, é dar mais que o pão de cada dia, é merecer afeição e uma prece de louvação.
Por sua entrega, que não nega sua feminilidade e a vontade de viver um grande amor, por seu aroma de flores, por seu valor, por seu desempenho em prol do semelhante, deixo meus votos de fé e esperança em melhores dias, porque a mudança tarda mas não falha.
E não haverá mudança sem o equilíbrio, a energia e a sensibilidade, que a mulher empresta, onde quer que esteja.
FELIZES SEJAM AS MULHERES NESSE DIA 8 DE MARÇO!
KATIA CHIAPPINI

segunda-feira, 5 de março de 2018

ESCRITORES EM BUSCA DE UM LUGAR

             ESCRITORES
             EM BUSCA DE UM LUGAR

Escritores desejam ser reconhecidos por seu trabalho e esforço.
Mas não é fácil quando se percebe que as grandes editoras publicam só os livros de maior vendagem de seus escritores notórios e fadados ao sucesso em cada nova publicação feita.
Os escritores independentes surgem com nova proposta e trilham um caminho alternativo, de difícil acesso. É um trabalho lento e gradativo em busca de algum patrocínio financeiro entre amigos e familiares.
Esses autores economizam alguma importância em dinheiro vinda de seu próprio trabalho, mobilizam algumas entidades culturais e editam seus livros com recursos amealhados com sacrifício e suor.
Os livros são vendidos em feiras na capital e interior, ao longo do ano, em saraus e eventos e seus autores perseguem algum reconhecimento quando da apresentação dos novos trabalhos.
Mas todo esse esforço não basta para financiar os custos do lançamento dos autores independentes, com as gráficas, o capista, o diagramador, o revisor,entre outros.
Quando as prefeituras e empresas compram dezenas de exemplares para distribuir em escolas, estão colaborando para que o escritor se torne conhecido entre algumas comunidades.
Alguns escritores ganham algum reconhecimento em concursos literários,outros saem de porta em porta a oferecer suas obras, alguns vendem suas obras aos turistas que chegam ao país para as férias de verão.
Outros buscam a internet como forma de divulgação e passam a escrever para os jornais digitais, já em grande número.
E vendas pelas redes sociais também são feitas aos interessados.
Alguns podem se tornar palestrantes em eventos empresariais.
Temos os cordelistas e trovadores, repentistas e imediatistas que partem de um tema solicitado e improvisam versos e versos, aos metros.
São tipos populares e de boa fé que vivem como itinerantes instigando a curiosidade do povo que os encontra  em praças públicas, a declamar seus ensaios.
Esse é um fenômeno cultural que promove o conhecimento da cultura de um povo, muitas vezes, explorado, humilde e sacrificado e, mesmo assim, servidor de sua pátria.
Modernamente, estão surgindo academias e associações que reúnem seus afilhados e publicam as coletâneas E pretendem conquistar seu espaço no mundo literário contemporâneo.
A primeira academia do Rio Grande do Sul foi a denominada Partenon Literário, em Porto Alegre. Data, a referida academia, de 18 de junho de 1868 e seu fundador foi Apolinário Porto Alegre e seu irmão Aquiles Porto Alegre, entre outros intelectuais da época.
Depois de um ostracismo de muitas décadas voltou a existir e até hoje exerce suas atividades com novos sócios.
Hoje, várias entidades povoam a cidade de Porto Alegre e, aos poucos, vão reunindo escritores e promovendo a divulgação dos mesmos em feiras de livros.
Temos,entre outras, a Casa do Poeta Riograndense fundada por Nelson Fachinelli, em 1964, a AGEI que se filia à Câmara Riograndense  do Livro.
Há um projeto cuidadoso que reúne os escritores e seus textos e currículos. Estipula-se um valor para cada participante para que se processe a impressão e o pagamento das despesas da gráfica até a edição final dos volumes.
É um trabalho de cooperativa que oportuniza a inclusão do escritor no mercado e facilita sua interação com a literatura de modo mais econômico e viável.
Cada autor recebe uma quota de livros para comercializar e fazer um fundo para participar de novas obras.
Uma coletânea que reúna autores de vários Estados da federação, pode dinamizar os trabalhos e os resultados e otimizar os esforços de uma coletividade que se apoia solidariamente.
Essa é uma alternativa para autores que não poderiam arcar com os custos de um livro solo. E para outros que não teriam material suficiente para compor um livro.
As obras dos autores independentes podem ser vendidas em saraus literários, em feiras, eventos culturais, entidades outras que se proponham a divulgar as obras, assim com as editoras dos shoppings. E vale a criatividade para descobrir onde colocar os volumes para a melhor visibilidade. 
Há grupos de escritores que declamam em praça pública, em saraus de menor porte. E há os que colocam bancas em praças, em casas de cultura . 
Há os que convidam para um chá em suas casas e contam com os colegas de trabalho para prestigiarem algum evento literário que sirva como ponte para a venda de novos exemplares de livros publicados.
Em Salvador, na região central do Pelourinho, vários grupos de poetas se reúnem em saraus.
Em São Paulo, os saraus são realizados ns bares da Vila Madalena, no Itaú Cultural e na Casa das Rosas.
No Rio de Janeiro, Curitiba, Recife, Manaus, a literatura independente dá o seu recado, prolifera e se atualiza.
Mas, um autor independente só recebe reconhecimento significativo, quando vence um concurso literário de grande porte como o da Academia Brasileira de Letras, da Academia Paulista de Letras, quando vence o prêmio Jabuti ou da Câmara Brasileira do livro, ou o prêmio Camões.
Ou se destaca em premiações regionais, como o prêmio dos Açorianos ou o prêmio Moacyr Scliar, em Porto Alegre.
As políticas públicas precisam se envolver em projetos que destaquem tantos autores independentes.
Ainda há tantos talentos escondidos e, ao mesmo tempo, tanta divulgação de obras sem valor literário algum.
Cabe ressaltar a importância de buscar a participação das grandes Universidades junto aos movimentos literários.
Isso seria o mesmo que resgatar tendências,valorizar  e registrar o surgimento de novos autores, registrar e se envolver em processos de construções relativos aos vários campos da literatura.
Seria a possibilidade de resgatar romancistas ,contistas, ensaístas,poetas,cronistas, cada qual com sua percepção peculiar da existência.
Escritores de toda a terra, estejamos unidos em prol da cultura e literatura, responsável pela permanência dos fatos e da história dos povos, em qualquer tempo.
Estejamos algo alienados porque sonhadores inveterados.
Estejamos a pular corda e amarelinha para resgatar os valores da infância, junto aos nossos netos.
Estejamos unido numa corrente invisível de amor ao próximo, para falar de suas desditas e exigir a justiça que tarda mas não falha.
Estejamos agradecidos ao Senhor nosso Deus pelos êxitos obtidos.
Sejamos os arautos da coletividade carente.
Sejamos a força motriz, que parece obscura mas que já colheu alguns frutos de uma semeadura que não para mais no tempo e no espaço.
Sejamos pequenos príncipes e princesas das ilusões infantis quando lemos belas histórias para os pequenos dormirem em paz.
Sejamos corajosos e invencíveis como coletividade inserida na divulgação da literatura que é capaz de balançar o sistema vigente e erguer um novo caminho, digno e promissor, porque a mudança é inevitável.

KATIA CHIAPPINI

Alguns esclarecimentos, fatos e datas foram retirados da obra Barulho do Mar, de Vladimir Cunha Santos, meu afilhado no Partenon Literário, a quem parabenizo e agradeço.



domingo, 4 de março de 2018

HISTORINHA ( 1 )

                HISTORINHA ( 1 )

Um amigo nosso,casado, me visitava todas as noites e permanecia conversando entre 20 h e 24 h, sem nenhuma vontade de ir para sua casa. Meus filhos e marido iam se retirando,mas eu permanecia firme.
Quando ia passando de um dia para outro, eu dizia;
-Vamos descansar,por hoje?
E ele me respondia;
- Sim, mas amanhã estarei aqui
E eu dava a entender que não iria reparar se não viesse na outra noite .Mas ele ,inquieto, interrompia meu raciocínio e dizia:
- Amigos sempre voltam

KATIA CHIAPPINI

HISTORINHA (2 )


             HISTORINHA ( 2 )

Fui e voltei do bar próximo e uma senhora continuava ao telefone celular, encostada no prédio, com o olhar triste.
Pena que choramos com as tristezas bem mais do que sorrimos com as alegrias!

KATIA CHIAPPINI

sábado, 3 de março de 2018

UM PENSAMENTO EM EQUIPE

        UM PENSAMENTO EM EQUIPE

                                 SOBRE O VINHO!

Vinho é poesia engarrafada; é poema em cálice de êxtase; é cor violeta com aroma de flor e sabor de segredo; é parte do enredo na arte do amor.

Autoras:


Adélia Einsfeldt
Verônica Marzullo de Brito
Katia chiappini

PARADOXO DA COEXISTÊNCIA SOCIAL

  PARADOXO DA COEXISTÊNCIA SOCIAL

Os inocentes morrem
Sacrificados na guerra
Os pecadores vivem
Sem censura nessa terra

Os ladrões de galinhas
Queriam só se alimentar
A sociedade ora definha
Sem esperança e sem lar

O de colarinho branco
Enriquece com falcatruas
O pobre sentado no banco
Dorme no túnel, na rua

A ganância é hospedeira
Cega o candidato do povo
E promessas eleitoreiras
São repetidas no ano novo

Cifras rasgam fronteiras:
- Malfadado jogo de interesses
E o povo sem ''eira nem beira''
Aceita migalhas e agradece

É o paradoxo da era presente
Que ludibria leis e improvisa
A justiça se faz univalente
Obedece quem sabe que precisa

KATIA CHIAPPINI

quinta-feira, 1 de março de 2018

SARAU POÉTICO

                        SARAU POÉTICO

Um sarau poético
Tem o seu reinado
O poema, eclético
É especial legado

Reúne os adeptos
Promove as rimas
O público é seleto
De especial estima

Sombras se dissipam
Poemas são falados
Sonhos se agitam
Nos corações alados

Sonetos sensibilizam
Relatos são ouvidos
Palavras eternizam
Os amores vividos

Todos estão atentos
E se calam para ouvir
São breves os momentos
Mas outros hão de vir

Deus criou o poeta
Com sensibilidade
O escritor, qual profeta
Sintetiza essa verdade

Que os saraus poéticos
Sigam a sua vertente
Cultivem valores éticos
Sejam, ora foz ou nascente

Quero em noites de lua
Ondas do mar em folia 
Minh'alma serena e nua
Se vestindo de poesia

KATIA CHIAPPINI