Aquarela de poesias

Aquarela de poesias
Poesias para você

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

O AMOR...

                           O MEU AMOR !

                              O meu amor - esse sujeito -
                              É meu ar rarefeito
                              Vem com esse seu jeito
                              De quem se diz perfeito
                              De quem julga ter direito
                              De quem promete respeito
                              E elogia meu trejeito
                              E se espreguiça em meu leito
                              Para abraçar o meu peito
                              Para derrubar preconceito
                              E obter mais proveito
                              Se vem me mimar não o rejeito
                              Nele me encaixo  e me deito
                              E declaro que é meu eleito

                        KATIA CHIAPPINI



domingo, 29 de setembro de 2013

O DIA !

                            O DIA É SEU...

O dia que não for dia
De esperar algo de bom
É só lembrar da alegria
De saborear um bombom

Dia após dia o viver
Desafia o ser humano
Aceite se reerguer
Não faça nada insano

Todo o dia é uma festa
Se o coração bater forte
Apare cruéis arestas
Procure na vida o seu norte

Se relacione sempre bem
Não perca amigos por nada
Valorize mais o que tem
Não perca o rumo na estrada

Chorar, sorrir e rezar
Se lamentar é possível
Menos se acomodar
E ficar sem combustível

Não se deite na fama
É regra de bem viver
O trabalho lhe chama
Só ele faz crescer

Perdoe e reconsidere
Não há mesmo perfeição
O amigo que hoje fere
Amanhã será a salvação

Com cabeça erguida siga
Cumprindo sua missão
Faça da coragem sua viga
Pra embasar a construção

Temos que entoar o hino
Regar flores no canteiro
Ouvir o soar do sino
E sorrir ao pipoqueiro

O dia será de efervescência
Se a fé vier primeiro
Ouça antes a consciência
E descanse no travesseiro


                                    KATIA CHIAPPINI
                  e-mail: katia_fachinello42@hotmail.com





TENTANDO CONTINUAMENTE

                       TENTANDO VIVER !


Fiz do mal o bem
O bem foi o recomeço
O recomeço trouxe o vintém
O vintém novo endereço

Novo endereço eu quis
Quis amizades sinceras
Sinceras é o que se diz
Se diz que o bem nos espera

Nos espera e o ideal conforta
Conforta e deve prevalecer
Prevalecer na luta é o que importa
Importa é tentar viver

Viver como um ser eficiente
Ser alguém com decisão
Decisão é preciso ter
Ter um plano em cada ação

Ação se quer propor
Propor e dar a mão a Deus
Deus é o melhor professor
Professor dos filhos Seus

Filhos Seus plantam sementes
Sementes de esperanças
Esperanças regam as mentes
As mentes em suas andanças

Andanças seguem em evolução
Evolução do corpo e da alma
Alma se concentra na meditação
Meditação que traz luz e calma

Calma se torna sabedoria
Sabedoria se torna humildade
Humildade irradia simpatia
Simpatia gera oportunidade

Oportunidade se vale da regra
Da regra do bem viver
Bem viver é querer trégua
E na trégua permanecer

                                     KATIA CHIAPPINI




sexta-feira, 27 de setembro de 2013

PORTO ALEGRE: MINHA CIDADE

         PORTO ALEGRE DE MEU SONHAR !

Porto Alegre faceira qual lebre
Nos feriados respirando calma
É minha sina e minha febre
Pedacinho tatuado na alma

O laçador laça o minuano
Depois solta o danado de novo
Está brincando - não é insano -
Logo vira a estátua do povo

As prendas dançam tão belas
O pôr do sol é um esplendor
As praças parecem aquarelas
E o cais do porto é um divisor

Letras e artes se destacam
A arquitetura enfeita a cidade
Pensadores aqui desembarcam
Para o fórum da liberdade

Somos referência em transplantes
Em tecnologia e exportação
Mas o povo segue confiante
E ainda luta contra a exploração

Ainda há gente sofrida
E carencia de dirigentes sérios
Gente forte e destemida
Em busca de novos critérios

A gauchada é hospitaleira
Cuida do churrasco como da reza
O fogão à lenha, a chaleira
E o mate amargo não se despreza

Há uma mistura de raças
Em Porto Alegre dos casais
É uma querência cheia de graça
É a mais bela das capitais

Os barcos avistam as ilhas
E os pássaros em revoada
Porto Alegre é como filha
Entre amada e idolatrada

Não vou deixar esse chão
Nem minha fé e esperança
Amo o farol e o calçadão
Como amei a boneca de trança

                                     KATIA CHIAPPINI




quarta-feira, 25 de setembro de 2013

BONS TEMPOS !

                   TEMPO DE FACULDADE!

Costumava intercalar temporadas de um convívio familiar na estância de meus tios em Livramento, com as temporadas de verão, na praia, junto aos meus pais e irmão. Esse foi um tempo feliz.
Depois entramos na adolescência e intensificamos os estudos. Logo veio a idade adulta e durante a mesma tive outros momentos felizes que se reportam ao convívio na faculdade. As colegas tinham sonhos, ambições e uma certa ansiedade de conseguir um lugar ao sol. Nessa época tive amigas inseparáveis e uma turma confiante e
 identificada com os compromissos assumidos. Lembro de um diálogo que tive com elas :
- Katia, você não acha que chegou a hora de namorar ?
- Não me vejo tão apressada, nem considero que seja urgente.
- Mas não pensa que podemos ficar para ''titia''?
- Quando chegar o momento o candidato vai se apresentar a mim.
- Sim, mas vamos ao baile da Arquitetura ?
- Claro, está combinado.
Interessante foi constatar, anos depois, que nenhuma de minhas amigas havia se casado e que estavam se aperfeiçoando em suas profissões, preferencialmente.
Eu, de temperamento tranquilo, encontrei meu namorado e marido, quando fui ler a lista de conteúdos programados para o vestibular, sua data e horário.
Olhando para a lista afixada na parede e sentindo outro olhar, ao meu lado, conversa vai e conversa vem, consegui minha primeira carona até minha casa. Convidei uma amiga que ficou depois de mim, em sua casa.
Estudamos junto para o vestibular .
Casei durante o terceiro ano de faculdade.
Papai me disse, certo dia, essas palavras:
- Katia, minha filha, já estás formada em Pedagogia
- Sim, meu pai.
- Sabes que faltam 15 dias para o vestibular de Direito ?
- Mas papai, estou lecionando e seguindo uma carreira.
- Eu sei, mas podes tentar, com certeza.
 - Mas o que você tem em mente ?
- Bem, a primeira faculdade foi para adquirir qualificação e a segunda pode ser para arranjar marido.
E, realmente, o marido se apresentou a mim, no primeiro dia, como relatei.
Estou a lembrar do ambiente sadio e culturalmente intrigante, onde nossos conceitos eram postos à prova, a todo instante. Os professores eram admirados por sua postura .Ao entrarem no recinto, levantávamos para cumprimentá-los. Após formados, haviam encontros anuais e festivos, ao final de cada ano.
O ambiente universitário é um modo de ensaiar para enfrentar os desafios da vida cotidiana.
Em minha casa, onde nos reuníamos para estudar por ocasião das provas, era servido um lanche reforçado, no meio da madrugada.
Eu não dizia o que estava preparando e intercalava o lanche trivial com sopas, pizza caseira, omelete e outras guloseimas.
Era comum emprestarmos os cadernos aos alunos que, por motivo de força maior, não frequentavam algum dia de aula. Os professores atendiam até no intervalo e seguiam, sentados em suas mesas, a dar explicações para que não ficássemos com dúvidas.
Tive um colega de 55 anos, prefeito de uma pequena localidade no interior do Estado. Ele ficava uma semana em Porto Alegre, frequentando as aulas, e outra em sua cidade,atendendo na prefeitura. E se formou em tempo hábil.
Houve um tempo em que briguei com o primeiro e único namorado, colega de aula e marido. Então pedi que assistisse as aulas em turno inverso, o que era possível, na época. Mas descobri que ia todas as manhãs, no meu turno, durante o recreio, para ver onde eu estava e seguir meus passos.
Nessa época os trotes não eram agressivos. Desfilávamos cantando e pintados pela rua da praia, em perfeita e total harmonia. Éramos recebidos pelos professores, perfilados, no pátio da faculdade com uma salva de palmas e abraços de confraternização.
Os cursos não eram feitos por disciplina. Iniciávamos juntos e nos formávamos juntos, numa única colação de grau.
Era um tempo feliz e de maior apoio, de amizades sinceras, de professores idealistas, de bailes afinados por excelentes conjuntos musicais. Tempo de rodar pelo salão em ritmo de valsa, bolero, samba, tango, milongas, xotes e chamamés. Era tempo de conviver com homens românticos, de flores, perfumes, bombons de gramado, cartas manuscritas, diários, declarações de amor ensaiadas no melhor estilo e serestas que acordavam o bairro todo.
Era um tempo em que se visitava os pais da noiva que eram convidados para jantar num bom restaurante.E isso fazia parte do conjunto de amabilidades.Era tempo de pedir permissão para namorar a moça e de combinar o horário de deixá-la em casa.
Era tempo de prolongar a lua de mel, do casamento na igreja, do 
curso de noivos, de desfilar no tapete vermelho em direção ao noivo ansioso, porque o atraso da noiva era um fato comum.
Um tempo de sedução e de sentir a mulher não só como fêmea, mas como uma pessoa por inteiro, em sua essência. E,fundamentalmente, como companheira e cúmplice de todas as horas.
Estou finalizando com um pensamento que gostaria de compartilhar com os leitores :
- Ha quanto tempo não se deixam envolver pela beleza de um entardecer, num banco de praça, olhando para a leveza dos passarinhos, ao tentar se equilibrar no fio de luz ?

                                  KATIA CHIAPPINI


segunda-feira, 23 de setembro de 2013

A SUA ALMA É PEQUENA ?

                          SUA PEQUENEZ

Tocou em minha tez
Uma e outra vez
Mil promessas me fez
E refez a cada mês

Fiquei só, sem recomeço
E isso nem mereço
Perdi seu endereço
Fui só um adereço

Sem comprometimento
Foi em vão seu juramento
Desprovido de sentimento
Vãs palavras soltas ao vento

Quando precisou - ajudei -
Até me sacrifiquei
Depois fugiu - eu sei -
E ainda nem superei

Nem sempre faz jus o ser
Às palavras : muito prazer !
Quando só demonstra viver
Para o outro fazer sofrer

Ninguém julgo e nem reclamo
Se encontrar o amor eu amo
Se errar não me queixo - chamo -
E se acertar, a vida proclamo

Sua pequenez  não vingou
A outra -  sua casa deixou -
Pois quando o amor implorou
Você deu as costas - nem ligou -

Depois se culpou e entendeu
Que a solidão lhe acolheu
Carinhos não mais viveu
E nunca se restabeleceu

Quem não vê além do nariz
Não é da vida aprendiz
Percebe que ninguém o quis
Porque não seguiu uma diretriz

Pequenez é como quinquilharia
Sem valor e sem serventia
Quem a tem vive em apatia
Não responde e nem dá ''bom dia'' !

Pequenez é mesquinharia
É o ego reverenciar
É abraçar a hipocrisia
É acumular agonia

                                      KATIA CHIAPPINI



domingo, 22 de setembro de 2013

UM FATO QUE SE REPETE

                             UM PASSADO 
                         AINDA PRESENTE

Quero me livrar das panelas
De só frequentar a capela
Pra não ficar na janela
E estar sempre na favela

Não quero o fogão à lenha
Quero uma nova senha
Pedir que outra vida venha
Escrever nova resenha

Quero sentar junto ao lago
Galopar pelo meu pago
Encontrar algum afago
Conhecer o príncipe, o mago

Quero evoluir como mulher
Ser aquela que se quer
Sem aceitar o que vier
Escolher bem - se puder -

Cansei de mexer o feijão
Varrer a casa e fazer serão
Ser a mãe de meu irmão
Não ter tempo pro violão

Não tive infância - nem isso -
Nasci para o compromisso
Sufocada pelo serviço
Sem ter vida, sem ter viço

Com voz de trovão censurada
Por poucas faltas - quase nada -
Fui ficando muito abalada
Sempre mandada e nunca amada

Maria da Penha ? loteria 
Direitos da mulher ? sem valia
Só Deus me livrará da agonia
Estou oprimida e vazia

Quero voar bem alto
Ainda que tombe no asfalto
Mesmo caindo do salto
Eu posso cantar em contralto

Vou atrás de mim - é preciso -
Já tenho idade e juízo
Vou buscar o paraíso
Que não está na terra onde piso

                                         KATIA CHIAPPINI