Aquarela de poesias

Aquarela de poesias
Poesias para você

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

L.P.....( ACERVO ANTIGO )

                  Esse é um L.P de Dorival Caymmi, ano 1970.
As músicas que ele apresenta nesse trabalho são:
O que é que a baiana tem
O vento
Marina
Maracangalha
O mar
Você já foi à Bahia?
João Valentão
Samba da minha terra
Dorival Caymmi foi cantor, compositor, violonista e pintor brasileiro.Nasceu em Salvador e faleceu no Rio de Janeiro( 2008)
Seus filhos são Dori Caymmi, Nana Caymmi, Danilo Caymmi.
Suas composições traduzem hábitos e costumes do povo baiano

                                       KATIA CHIAPPINI.


A ALFABETIZADORA

                    A ALFABETIZADORA

Minha colega de magistério era excelente alfabetizadora. Confeccionava materiais diversos para alfabetizar através de jogos e brincadeiras. Ao ingressar nessa escola pedi sua orientação para alfabetizar uma turma que me estava destinada. Ela foi me explicando, passo a passo, durante as reuniões de classe, como utilizar o seu método.Realmente, graças a ela , consegui um bom índice de aprovação, no final do ano. 
Acompanhei-a até sua residência, após a entrega de boletins, com o intuito de agradecer o apoio e a orientação que havia me dado.
A alfabetizadora era uma mulher madura. Mas deixava transparecer a beleza na fisionomia. Subitamente, me veio a pergunta:
-Porque você não se casou?
E ela prontamente, sem um piscar de olhos, respondeu:
-Encontrei o meu noivo dentro de um taxi, ao fazer a última prova do vestido de noiva, quando me dirigia à costureira.
-Sim, interrompi, e então?
-Ele estava aos beijos e abraços com outra mulher e não havia o que pensar dessa cena, além do óbvio.
-Mas você era tão jovem ainda...
-Mas envelheci naquele exato momento.
E continuou me contando sua decepção e dor e mais o fato de ter feito economias para organizar uma festa simples, comprometendo parte de seu salário, já tão minguado.
Não satisfeita, me animei a perguntar:
-E como superou isso?
A alfabetizadora me respondeu que seus alunos são sua força. Eles a esperam com abraços e beijos, já na fila de entrada.
E ouvi de sua boca essas palavras:
-Nenhum homem saberia me proporcionar o conforto e a felicidade que esse carinho me traz.
E fixando seus olhos nos meus, com voz pausada e tranquila falou:
-Só confio na sinceridade das crianças e perto delas é o meu lugar.
-Mas como pode dizer isso?
-Aprendi que a destruição dos sonhos de juventude aniquila a alma mais do que o furacão aniquila a natureza.

                                   KATIA CHIAPPINI




sábado, 22 de novembro de 2014

ALÉM DO AMOR

                          ALÉM DO AMOR
        

Conheci um homem bom enquanto sóbrio.Infelizmente o vício da bebida  o consumia. A esposa pediu o divórcio porque o homem se tornou violento e gastava todo o salário com o vício. O homem começou a acumular amantes e a se afundar cada vez mais.
Quando foi internado com cirrose hepática, não recebeu a visita de nenhuma de suas amantes dos últimos anos. E, então, descobriu que as falsas juras de amor não trazem nenhum conforto.
Implorou pelos préstimos da ex-esposa e a queria no hospital todas as tardes. E seus olhos adquiriam um especial brilho ao vê-la chegar. Ela ficou em seu leito até o final, quando o viu falecer em seus braços. Antes de morrer, arrependido, pediu perdão e reconheceu que foi responsável pela dissolução da família. E essa mulher cuidou dele, desinteressada e gratuitamente, sem que recebesse nada para chamar de herança. Hoje mora com uma irmã que ficou viúva e se apoiam na subsistência. E o gesto da ex-esposa é digno de louvor. É um gesto cristão, humanitário e não tem preço.
E se estende muito além de um gesto de amor. Pois o que hoje costumamos chamar de amor, nada mais é do que um arremedo do verdadeiro amor, onde a solidariedade não se sobrepõe ao mero prazer do momento.É, antes, um sentimento desgastado e cuja fragilidade não suporta nenhuma desavença do cotidiano.Perdeu-se o sentido do sentimento de amor. Passamos pela existência sem reconhecer os seus valores e sem experimentar os sentimentos familiares.
E estamos perdendo vida, também.

 KATIA CHIAPPINI

SAUDADE DO TEMPO ANTIGO...

               SAUDADE DO TEMPO ANTIGO

Algumas flores
Um aperto de mão
Menos desertores
Mais compreensão

Carícia no rosto
Presença na doença
E isso posto:
''Era a nossa crença''

Auxílio nos pacotes
Motivo de conforto
O amor era mascote
Talismã ou porto

O tempo de paquera
Era o do conhecimento
Havia a gentil espera
Para o amor perfeito

Vestes bem cuidadas
E frescor de perfume
A mulher era poupada
De cenas de ciúmes

Existia confiança
Assim como deve ser:
''Cultivar a esperança
Cumprir sem prometer''

Era um turbilhão de gestos
De pureza e de carinho
Sem precisar de protestos
Sem macular o caminho

Era o amor a certeza
De descobrir afinidades
De querer mais que beleza
De perpetuar a amizade

O amor era o complemento
Como churrasco com farinha
Não só um divertimento
Com galã de fim de linha

Havia o dia de ser feliz
De se abrigar nos amores
De viver o que se quis
De se despir dos pudores
  

                                       KATIA CHIAPPINI


    



sexta-feira, 21 de novembro de 2014

O PÊSSEGO MAIS BONITO

                  O PÊSSEGO MAIS BONITO

Meu tio Léo era muito mimado por dona Clem, sua esposa.
Estávamos na praia do Cassino, em Rio Grande, numa casa de madeira imensa, meus primos e eu, em férias. O tio sentava-se na cabeceira da mesa e esperava que a tia servisse seu prato.
Eu observei que ele costumava comer um pêssego após o almoço.
E sempre esperava, ansioso, pela fruteira que era colocada na mesa, após a retirada dos pratos servidos. E se servia do pêssego maior e mais bonito, entre os outros.
Após uma dessas refeições em família, esperei minha tia colocar a fruteira no centro da mesa, com os pêssegos, e retirei, rapidamente e sem pestanejar, o menor deles e o coloquei no prato de sobremesa de meu tio.E, ato contínuo, retirei o maior e o mais bonito e o coloquei em meu prato de sobremesa, falando:
-Estou servindo um pêssego ao senhor, meu tio.
Titio olhou bem para mo meu prato e percebeu o que eu havia feito.
Limitou-se a dar um sorriso amarelo e congelou a expressão do rosto, por alguns instantes. Depois, disfarçou, abraçou-me pelos ombros e disse:
-Obrigado, minha sobrinha, por me servir com tanta presteza!

                                      KATIA CHIAPPINI





NO INTERNATO

                        NO INTERNATO

Passei parte de minha vida no internato onde a disciplina era imposta com rigidez. Pela manhã, ao acordar, ouvíamos três toques de sino. No primeiro arrumávamos a cama, no segundo repetíamos a oração do dia. Só no terceiro sinal deixávamos o quarto individual para nos dirigir ao lavatório e banheiros. Eu costumava levantar só no terceiro toque para me espreguiçar um pouco mais e despertar com calma. E assim, só puxava a colcha sem ter arrumado a cama.
Quando a freira descobria, ela revirava meus pertences para que eu os ajeitasse novamente. E tudo deveria estar perfeitamente organizado.
Um dia a freira não se conteve e perguntou:
-Vale a pena perder o recreio para ficar arrumando o quarto?
E ouviu de mim a seguinte resposta em forma de pergunta:
-E o tempo que ganhei todos esses anos, me espreguiçando e ouvindo rádio? 
Na empolgação da justificativa que criara acabei por falar demais.
A freira, exibindo um sorriso vitorioso, sequestrou meu rádio Spika.
Nunca contei isso ao meu pai, que o importou do japão, para me presentear.

                                  KATIA CHIAPPINI
                    E-MAIL:katia_fachinello42@hotmail.com



NÃO DEIXE O CERTO PELO DUVIDOSO

    NÃO DEIXE O CERTO PELO DUVIDOSO

Um homem mulherengo tinha uma esposa dedicada e companheira de trinta anos. Mas, concomitantemente, mantinha um tórrido relacionamento com uma colega de trabalho. Essa era uma mulher casada. A situação, aparentemente, era confortável para os dois, já que sem compromissos de coabitação.
Até que um dia a amante passou a exigir viagem de férias e um convívio mais frequente.
O homem que se dizia apaixonado, acabou por deixar a esposa para viver com a amante. Esperou a infiel sair do trabalho e a abordou:
- Amor, vou alugar um apartamento e vamos ficar juntos porque deixei minha esposa.
-Mas o que estás me dizendo?
E, assim, combinaram hora e local para se encontrarem na manhã seguinte para ver o apartamento. E o homem recebeu dela o beijo apaixonado de sempre.
Na manhã seguinte não a encontrou. Perdeu o contato e nunca mais soube dela.
E o homem, perdeu, o mesmo tempo, a esposa e a amante.
E nem por um instante lhe veio à cabeça que a amante jamais pensara em trocar o conforto de seu lar bem constituído e estável, para viver com um homem casado, que ficaria obrigado à pensão alimentícia da qual a ex-esposa faria jus.

                                     KATIA CHIAPPINI