Aquarela de poesias

Aquarela de poesias
Poesias para você

domingo, 3 de abril de 2016

MAQUINA SINGER! ( MANUAL )

                        MÁQUINA SINGER!

Minha vovó costurava numa máquina Singer, modelo original, de madeira, com gavetas, com sistema de pedal, para trabalhar com os pés.
Minha mãe e minhas tias também costuravam em casa porque vovó ensinou esse ofício para todas as 4 filhas mulheres.
Mas minha mãe aprendeu sozinha, só de observar vovó costurar.  E mamãe criou uns moldes de jornal com as medidas de quem lhe pedia roupa e assim começou a aceitar algumas encomendas. Mas seu prazer maior era fazer a própria roupa e criar os modelos que lhe caiam bem.
E mamãe saía para passear, quando adolescente e chamava a atenção pela beleza das roupas e de sua postura elegante. 
Anos depois, quando eu fui à Livramento, terra que acolheu minha mãe, as pessoas me chamavam na rua para comentar sobre os traços finos dela e sobre sua figura elegante.
Todas as minhas tias costuravam na máquina Singer, mas mamãe desenvolveu essa arte e se destacou pelo bom gosto das peças que produzia.
Ela confeccionava lindos chambres de quarto, longos, em cetim, ou seda, de modo que se assemelhavam aos vestidos feitos para serem usados, socialmente, em grandes ocasiões, tal o efeito deslumbrante que produziam..
Depois de uns anos surgiu a máquina Singer elétrica, bem pequena, ao contrário da manual, que era um móvel considerável.
Mas minha mãe ainda continuava a usar a máquina manual, intercalando o seu uso com a elétrica.
E a máquina de madeira deu a minha mãe a oportunidade de se empenhar em confeccionar meu vestido de noiva, anos mais tardes, quando eu estava de casamento marcado.
Fez um vestido branco, com cauda longa ,com bordados na frente e nas mangas. E levou mais de um mês para terminar sua melhor obra. Havia saia de armação e mais uma saia de forro para dar o volume para a saia rodada.
Bem mais tarde, minha mãe teve a ideia de ,transformar a máquina em outro móvel. Aproveitou a sua base e colocou uma tábua grande de madeira nobre, para servir de mesa para a sala de jantar.
E meus filhos e netos, quando pequenos, gostavam de ficar pedalando para brincar.  E de se esconder até serem encontrados.
E minha mãe, no tempo das costuras, dizia que a máquina era excelente para movimentar as pernas e evitar problemas circulatórios. 
Ao postar uma máquina Singer em meu Facebook, tive a surpresa de ver os acessos, compartilhamentos, comentários e curtidas que provoquei.
As pessoas , homens e mulheres, se manifestaram dizendo que suas mães e avós também costuraram numa Singer. 
Percebi que estava falando de uma raridade, mas que foi muito útil em tempos idos, quando as famílias costuravam em casa, bem mais do que compravam as roupas prontas nas lojas.
Minha tia que morava numa estância, em Santana do Livramento, fez até as campeiras dos homens, bem como aquelas calças de gaúcho com ''favo de mel'' nas laterais.
Eu me criei vendo essas máquinas por todo lado: nas casas vizinhas, nas de minha família.
Se fosse fazer uma comparação, eu diria que essas máquinas eram tão preciosas como os fogões à lenha, que, desde cedo, já ferviam a água para o chimarrão matinal.
 Minha mãe gostava de comentar essa história de que aprendera sozinha, como verdadeira autodidata, essa arte da costura.
 E o primeiro vestido que fez para ela própria despertou a atenção de minha vovó que a elogiou pelo feito, dizendo:
- Parabéns, minha filha, agora já podes casar!

KATIA CHIAPPINI

sábado, 2 de abril de 2016

MINICONTOS! ( MINHAS LEMBRANÇAS )

                        BREVES HISTÓRIAS
                         ( minhas lembranças )

PRIMEIRA HISTÓRIA:

Perguntei a minha tia como era a vida de casada;
 -Você tem uma vida feliz?
E ela:
- Não cheguei ainda a uma conclusão definitiva, mas poderia dizer que trata-se de uma vida cheia, sem tempo para depressão.
 - Como assim?
- Fácil, você escuta o dia todo as expressões: mãe, mulher, patroa, filha, madrinha sem falar da algazarra de cães e gatos que circulam pelo ambiente. E ainda tem o telefone que chama mais do que todos juntos.

SEGUNDA HISTÓRIA

Uma ocasião, quando já me sentia cansada, um amigo que me visitava, regularmente, seguia conversando, sem noção, mesmo tendo passado da meia noite.
Todos os familiares já tinham se retirado para os seus aposentos e só eu ainda permanecia fazendo as honras da casa.
Em dado momento, após servir o último cafezinho da noite, eu falei:
-  Amigo, desculpe-me, mas preciso me recolher.
E ele, prontamente:
- Pode me mandar embora que volto amanhã.
Eu não consegui conter o riso e uma gargalhada preencheu a sala e parecia transpor o corredor do sétimo andar, do meu prédio.
Ele me olhou bem sério e com ar de pompa falou:
- Minha amiga Katia, amigos sempre voltam.

KATIA CHIAPPINI

E ESSA TAL FELICIDADE?

                            FELICIDADE

A felicidade é tema de inúmeros romances, contos, crônicas, pensamentos, explanações de filósofos, psicólogos e de toda a gente.
O que lembro com saudade é que íamos à missa do Galo, na noite de Natal, antes da ceia, e em família.
Nossos vestidos não eram desbotados, nem desfiados, nem com ar de peças usadas. Nossas mães eram costureiras e bordadeiras, como já tinham sido as nossas avós.
A criança podia ir para a janela e alimentar sua ilusão de esperar para ver a cegonha passar, às vésperas de ganhar um maninho. Assim como ficar olhando para a chaminé da casa à espera do Papai Noel. Os sonhos eram preservados no mundo infantil e faziam as crianças mais felizes.
Músicos e pintores dedicavam suas inspirações, respectivamente, cantado ou marcando na tela, momentos de felicidade.
Sabíamos brincar de amarelinha, de roda, de ''passa anel'', de esconder e de contar histórias inventadas, para não frustrar as expectativas de nossos filhos. Esses nos pediam uma nova história, todas as noites, ao deitar.
As famílias faziam as refeições juntas e conversavam sobre os fatos do dia e sobre suas preocupações com a profissão e formação.
Mas a felicidade não se perdeu no passado, apenas ficou mais distante de nosso olhar porque nossas preocupações tomaram a dianteira e nos tornaram mais automatizados.
Ainda há tempo de buscar a criança interna. E o pouco tempo que temos para estar com os filhos, atualmente, podemos converter em qualidade de vida, em momentos de afetividade e de carinho.
E precisamos pensar que a correria pelo sustento do lar não invalida a necessidade de criar laços de amizade. São os amigos que irão nos apoiar nas horas difíceis e não o dinheiro obtido no trabalho.
Lembro do coral da igreja, das cadeiras nas calçadas, das crianças brincando ao redor até serem colocadas na cama e sem reclamações ou desobediência.
Hoje a tendência é se isolar nos aparelhos eletrônicos da modernidade, que de um lado vieram acrescentar novos e importantes elementos ao progresso tecnológico ,mas de outro lado, servem de ameaça ao convívio social.
Mas em relação a ser feliz também com o avançar dos anos, e principalmente nessa fase de vida, convém manter o corpo ativo e o espírito atento.
É possível continuar a ler o jornal, folhear um bom livro, pintar um quadro, tocar um instrumento, fazer voluntariado, convidar as amigas para o chá da tarde.
É preciso treinar o cérebro para se manter ativo e fazer o otimismo habitar o seu interior, constantemente.
E sempre que precisar, reformule suas atitudes para atingir o nível de satisfação desejado.
A felicidade é uma constante busca que você não pode se negar a fazer. Ela é construída por seu modo de ser e de ver a vida.
Então, sempre há tempo para reformular atitudes, para tentar se reaproximar das pessoas com as quais manteve distância. E de se desculpar com as pessoas e desculpar as falhas delas, não muito diferentes de suas próprias.
Tenha bons hábitos alimentares, pratique a caminhada diária, frequente as salas de cinema, de teatro. Cuide da qualidade de seu sono. Faça uma programação para seguir uma rotina saudável e tenha um horário estabelecido para levantar e outro para dormir.
Seja mãe e vovó presente nos eventos sociais e no dia a dia. Prestigie e aconselhe quando pedirem que o faça. Do contrário, não se intrometa de modo invasivo na vida de seus filhos e netos. Desse modo será querida e nunca temida e nem afastada do grupo familiar.
Conserve seu bom humor e peça a proteção divina em suas orações.
A felicidade é uma arte que temos que aprender. Nem sempre sabemos onde ela está. Mas todas as tentativas são válidas para alcançá-la.
Nunca tenha inveja das pessoas que têm mais recursos financeiros do que você. A situação financeira é instável e uma incógnita: hoje podemos ter dinheiro e amanhã não. Porque o mundo nos prepara armadilhas, queiramos ou não.
O que deixamos para filhos e netos são os verdadeiros valores cristãos que aprendemos já no berço. Nosso exemplo de vida íntegra, nosso caráter e honestidade é que contam. Os bens materiais ficam  aqui na terra.
Cuide para não colocar sua felicidade nos ombros de outra pessoa. Só você pode recuperar sua felicidade perdida nos braços de um amor bandido. Ainda que tenha decepções amorosas ou de outra ordem ,não culpe ninguém. Essa cruz é sua, esse destino é o seu destino.
Seja você mesmo o guardião de sua felicidade e dê a ela toda a escolta que se fizer necessária.
Como disse Vicente de Carvalho:
- A felicidade está onde nós a pomos mas nunca a pomos onde nós estamos.
Mas prefiro dizer como Lupicínio Rodriguez, porém, colocando a negação nas suas palavras, já que ele fez uma afirmação:
-A felicidade não foi embora
Eu completaria dizendo que a felicidade só se afastou...
Mas por quanto tempo?
-É o que menos importa, caros leitores e amigos, basta seguir em frente e Deus proverá.

KATIA CHIAPPINI

sexta-feira, 1 de abril de 2016

MULHER QUE SE QUER

                    MULHER QUE SE QUER...

Mulher que se quer mais mulher
Não quer ser um caso qualquer
Mas é feita pra quem a quiser

Mulher madura é mulher
Carinhosa onde estiver
E não se ganha''de colher''

Se conquista onde se puser
Está para o que der e vier
Para o que de melhor houver

Escolhe o abraço que quer
E o beijo de quem lhe aprouver
Paixão, teu nome é mulher!

KATIA CHIAPPINI

quinta-feira, 31 de março de 2016

MENTIRA ?

                              MENTIRA?


Que bom que fosse mentira, nesse dia primeiro de abril, o fato de estarmos passando por uma situação crítica em nosso Brasil.
Que bom que fosse mentira dizer que a inflação é galopante e que a alta de juros enforca o cidadão.
Que bom que fosse mentira a existência da impunidade dos homens de colarinho branco que fazem mil manobras para fugir das penas da lei.
Que bom que fosse mentira a discriminação de toda ordem e o massacre dos ditos diferentes. Porque diferente dos padrões aceitáveis de conduta é sair ceifando vidas inocentes como fazem os psicopatas, drogados e os assassinos de profissão.
Que bom que fosse mentira o nosso voto não ser reconhecido como obrigação de se cumprirem as promessas de campanha política.
Que bom que fosse mentira a escassez de verbas destinadas aos serviços essenciais de sobrevivência, tais como, moradia, saúde, educação e segurança. 
Que bom que fosse mentira a existência de exploração dos patrões em relação aos empregados.
Que bom que fosse mentira a obtenção de riqueza ilícita, já que se vale do trabalho escravo de homens, mulheres e até crianças.
Que bom que fosse mentira o abandono de crianças recém nascidas e de velhos em asilos.
Que bom que fosse mentira o enriquecimento com o tráfico de mulheres para o exterior.
Que bom que fosse mentira tudo o mais que você deve estar pensando ao ler esse breve texto. Porque deve ter percebido que as leis e a justiça estão atreladas às conveniências das altas cúpulas.
Que bom que  tudo isso fosse um primeiro de abril e motivo de risos e brincadeiras inocentes. 
Mas, definitivamente, não o é.

KATIA CHIAPPINI

MURALHA DA CHINA

                                      MURALHA DA CHINA

A Muralha da China foi construída em sua extremidade setentrional. Havia dois exércitos de trabalho: um do leste e outro do oeste. Cerca de 20 trabalhadores executavam parte do muro  de 500 metros de comprimento. Outro grupo erguia outro bloco do muro do mesmo tamanho em direção ao primeiro grupo. 
Depois da junção de esforços a construção parava e as legiões de trabalhadores se dispersava em outras regiões, em outros trabalhos. Forma deixadas grandes lacunas que foram preenchidas, aos poucos ,e outras nem foram fechadas. E esses pedaços de construção não podiam servir aos povos aos quais se destinavam.
Esses pedaços erguidos e abandonados poderiam sofrer a ação dos nômades. A muralha deveria ser uma proteção para muitos séculos e minuciosamente planejada. Por trabalhos inferiores eram aceitos diaristas sem instrução, homens, mulheres e até crianças. Para supervisionar os diaristas era contratado um perito atento.
Quinhentos metros podiam ser feitos em 5 anos.
Os mestres de obras recebiam medalhas de honra e recebiam o júbilo de novos exércitos para não desanimarem. Os mestres de obras eram pedreiros que se comprometiam com a obra e a incorporavam como sua. Cada camponês era um irmão construindo uma muralha protetora e a unidade em torno da obra era mantida.
E o sangue parecia ultrapassar a circulação do corpo para rolar docemente e retornar através da imensa China.
A muralha foi construída para proteger os povos do Norte.
Mas os povos do Sul eram fiéis ao imperador e deixavam seus lares, atravessando rios e pontes para trabalhar na muralha do Norte. Deixavam mãe, pai, uma mulher chorosa e filhos desolados.
Mas existia o alto comando responsável pela construção da muralha, e para tal, tomava todas as decisões.
Em 221 A.C, com 3000 km de extensão foi ampliada nas dinastias seguintes. Por volta do século V, adquiriu 7000 km de extensão.
Um milhão de operários se ocuparam da construção da muralha e muitos morreram durante os trabalhos pela alimentação insuficiente e pelo excesso de frio.
A magnitude da obra não evitou a invasão dos Mongóis e de outros povos que vinham ameaçando o império chinês ao longo da história.
No ano de 1664, a muralha perdeu sua função estratégica.
Em 198, século XX ,houve a restauração de alguns trechos.
Porém sem normas para a utilização adequada e sem critérios técnicos para a restauração de alguns trechos, houve um desabamento de uma torre de 630 anos. Houve várias críticas por parte dos preservacionistas. Esses estimam que dois terços do total estejam em ruínas.
Mas tornou-se patrimônio histórico mundial e atração turística.
A Muralha da China está situada entre Asia e Oceania e pertence à República Popular da China.
Entre 1987 e 2012 sua extensão era de 21.196 Km. 
A Grande Muralha é construção da China imperial. Começou a ser construída em 220 A.C e concluída no ano XV, durante a dinastia Ming.
É considerada a maior estrutura militar de defesa. Distribui-se entre o Mar Vermelho ( litoral Nordeste da china ), o deserto de Góbi e a Mongólia ( à Noroeste )
A Muralha da China é uma das sete maravilhas do mundo e considerada patrimônio histórico da O.N.U.

KATIA CHIAPPINI

quarta-feira, 30 de março de 2016

REFLEXÃO BREVE:

                             REFLEXÃO

Somos, ora pedras, ora flores. Mas enquanto pedras ou empedernidas, sonhamos com a suavidade de uma pétala de rosa.
Ou sonhamos com um cravo...

KATIA CHIAPPINI