Aquarela de poesias

Aquarela de poesias
Poesias para você

quinta-feira, 7 de março de 2024

MUSA DESERTORA

                       MUSA DESERTORA



A musa é desertora

Abandonou a situação

Não se vê inspiradora

E sim, brinquedo de ocasião

Bruna inspirou Quintana

Foi musa por excelência

Foi amor que não veio à tona

Nem pecou pela inconsequência

Há amores tolos e vividos

Na escuridão da cegueira

São sentimentos idos

E jogados pela ribanceira

Só meras ilusões invocam

E têm os dias contabilizados

As musas nem os provocam

Nem portam rendas e babados

Nem compram novos vestidos

Nem rendas ou lençóis de cetim

Porque esses amores indefinidos

Melhor saber que terão um fim

A musa ainda é uma diva

Está a telefonar na cabine

Sabe que tem um jeito que cativa

Mas deixou de se expor na vitrine


KATIA CHIAPPINI




MARIA

                                 MARIA


Maria fervorosíssima

Eu encontro na igreja

Maria, assaz tristíssima 

Nem quer que eu a veja

Maria que eu já ajudo 

E da miséria eu resgato

Maria sem nada de estudo

Maria em vão anonimato


Maria, santa  Aparecida

É santa e fiel protetora

Ela faz chegar a comida 

Pra aquela Maria catadora

Maria que vai onde quer

É Maria onde nada é frouxo

Basta chamar  essa mulher

Que vai mostrar o olho roxo


Maria apelidada de chuteira 

Acha-se esperta, a pobre

Lança sua flecha certeira

Quer ser rica ou nobre

Maria, mulher guerrilheira

Vai se esconder na gruta

É Maria valente, pioneira

Porta arma e vai à luta


Maria quando consumista

Procura um velho ricaço

Na verdade é vigarista

Falso é o beijo e o abraço

Tem Marias nas esquinas

Como peças descartáveis

Exploradas desde meninas

Por uma corja de miseráveis


Tem Maria na avenida

Que ganha letra e melodia

Paixão  não teve na vida

Só brilho sem serventia

Na palma marcada da mão

A letra M de Maria faz morada

Vamos erguer as mãos em oração

Por Madalena, Maria imaculada


Quem conquista uma boa Maria

Não conquistará ninguém igual

É sinal de paz e harmonia

E seu  valioso presente de natal

Existe a Maria que tem mania

De procurar por um João

Sonha com ele todo o dia

Porque esperar não é em vão


KATIA CHIAPPINI











TUDO PASSA

                          TUDO PASSA


Tudo passa, é o nosso destino

Chico Xavier assim nos ensinou

É um mantra quase real e divino 

Que o bom Deus ouviu e abençoou


Um fato passa e outro logo vem

Peste e bonança se intercalam

É a própria vida que vai mais além

Com detalhes que ainda nos abalam


No céu vemos cometas e estrelas

Num mundo ainda desconhecido

É a abóboda celeste, como não vê-la

Tudo tem razão de ser e um sentido


Tudo passa mas a vida se renova

Nossos propósitos tomam novo rumo

Se algum fato novo e ruim não se aprova

Convém lutar para não perder o prumo


Tudo passa mas a esperança não

O bom ator é o que não sai de cena

Os ensaios quase levam à perfeição

Só quem luta faz a vida valer a pena


KATIA CHIAPPINI



segunda-feira, 4 de março de 2024

ENQUANTO HOUVER AMOR...

               ENQUANTO HOIVER AMOR...


Senti o corpo estremecer

Veio o cansaço enluarado

Um pouco antes do alvorecer 

Renasci amanhecendo ao seu lado


Fixei seu vulto em minha mente

E a ternura do abraço sem par

E o apelo da pele envolvente

Trouxe você para o meu andar


Senti meus braços tocados

E perfumados lençóis de cetim

Nossos sentimentos desvendados

E seu calor vindo para mim


Faça-se a luz e a luz foi feita

Assim se expressou o Criador

Faça-se o amor, quero a colheita

Colherei você meu semeador


Quantas palavras vazias

Você proferiu sem pensar

Fazem parte de minha agonia

Imaginei que fosse me amar


Um pouco de ilusão, ou de sonho

Transformou a afeição de mansinho

O meu amor  nem sei onde ponho

Que o tempo me mostre o caminho


Eu quis muitas vezes o renascer

Você não me deu esse espaço

Toda a desilusão me fez ver

Que só um sentimento abraço


Você foi meu melhor momento

Deu sentido e destino ao verbo amar

Foi também  dono de meu tormento

Só fiquei com o seu corpo no olhar


KATIA CHIAPPINI

SEMANA DA MULHER

                     SEMANA DA MULHER


 Mulher que se quer mais mulher

Dengosa, sensual e faceira

Abençoada por Deus, é mulher

É mulher confiável e verdadeira


Mulher merece uma linda flor

Mulher é como uma joia preciosa

Almeja carinho e uma cena de amor

Mulher é ora é frugal, ora majestosa


Mulher é estação, tal qual primavera

Que tudo e a todos faz florescer e conduz

É ela que mais sofre porque ainda gera

E aos olhos de Deus, é a mulher que reluz


Mulher é como prece, é nosso esteio

É ela quem equilibra a vida no lar

Quem a ela não se rendeu, nem veio

Pedir colo para melhor se aconchegar?


Mulher é sua cor, seu som e seu tom

É ser fértil, sempre presente, é seara

Multiplicar é sua missão, seu maior dom

Ame sua mulher , aquela que lhe ampara


KATIA CHIAPPINI

BRAÇOS E ABRAÇOS

                    BRAÇOS E ABRAÇOS



Braços se mostram bem flexíveis 

Para envolver o ser sofrido 

Os dos amigos estão disponíveis

Para abraçar o ser oprimido


Abraços pedem firmes braços

Que sirvam de conforto na agonia

Braços se movem em largo espaço

Abraçam-nos na dor e na euforia


Há braços presos em correntes

Onde a escravidão fez morada

Há braços esquecidos de indigentes

Esquálidos e sem força para nada


Queremos ver braços gesticulando

Em luta por liberdade e igualdade

A opressão está nos estrangulando

E o abraço de urso é uma realidade



Os braços feridos de Cristo na partida

Pregados na cruz pelos males do mundo

Abraçam o ser em espírito e o convida

Para semear e colher em solo fecundo


KATIA CHIAPPINI



sábado, 2 de março de 2024

HISTORINHA EM POEMA

                HISTORINHA EM POEMA


Apagam-se as luzes

Por sugestão da dama 

Ele reclama: cruzes!

Ela refuta sem drama


Ora quer, ora não quer

Ele acende uma vela

Tenta seduzir a mulher

Deixa fresta na janela


Ela pula e se contorce

Ele brinca de gato e rato

E por mais que se esforce

A dama mantém o recato


Era dia e fez-se noite

Ainda não aconteceu nada

Ela confessa: quer açoite

Mas parece encabulada


Ele atende e bate nela

De leve, sem grosseria

Ela, de repente, se revela

E se deixa ficar na folia


Ela loba, ele cordeiro

Ela domina enlouquecida

Ele se vê num entrevero

Toca nela com mão atrevida


Ela teve a ideia: pediu, pediu

Ele pensou e não quis bater mais

A dama triste, a testa franziu

Fugiu e não voltou jamais


KATIA CHIAPPINI