Aquarela de poesias

Aquarela de poesias
Poesias para você

terça-feira, 25 de março de 2025

SE

                                     SE...

Se você não viu o pôr do sol na praia

 Se não brincou de amarelinha

Se nunca foi travessa e fugiu da raia

S e não jogou pedra na casa da vizinha

Se não fugiu para namorar no porão

Se não foi pescar pelo menos uma vez

Se não pediu para o namorado dar a mão

 Se ainda não aprendeu a jogar xadrez

Se não brincou na chuva quando criança

Se não escondeu o boletim da escola

Se não chorou  de tristeza na andança

Se não aprendeu a nadar ou jogar bola

Se os desafios não soube contornar

Se não sofreu por amor ou paixão

Se fugiu da vida sem nunca batalhar

Se tudo isso ocorreu, viveu só de ilusão


KATIA CHIAPPINI

domingo, 24 de novembro de 2024

SENTIMENTOS CONFUSOS

                SENTIMENTOS CONFUSOS


Quando crianças brincavam

Maria e João eram amigos

Na mesma escola estudavam

Protegiam- se quando em perigo 


Na juventude eram unidos

Amigos de estudos e de festas

Um era do outro apoio bem-vindo

João surpreendia Maria com serestas


Quando adulto João amou Maria

Que por sua vez disse amar Milena

João ficou confuso e sua agonia

Fez com que saísse de cena


Maria só queria aventura

Arrependida quis voltar para João

Viu-o deitado sobre sua amargura

Magro, triste e em depressão


Maria aflita pediu seu perdão

João não a perdoou jamais

Estremecidos, Maria e João

Viveram sem sentido e sem ideais


KATIA CHIAPPINI





quinta-feira, 14 de novembro de 2024

FUGA

                                    FUGA


Hoje lutamos, sem trégua, dia após dia

Para não sair correndo por aí ao léu

Mas nos vemos em constante agonia

Só que ainda queremos chegar ao céu


Parece que não nos direcionamos

As características do ser mudaram

Já perdeu o valor o que assimilamos

E bajulamos os amigos que restaram


Fugimos da honestidade por receio

De sermos o soldado de passo certo

Precisamos portar máscaras em meio

Aos descaminhos que estão por perto


A fuga nos torna vulneráveis

Mas a circunstância nos obriga

Erramos muito, somos instáveis

Mas o perdão de Deus me abriga


KATIA CHIAPPINI

SONHOS CAÍDOS

                         SONHOS CAÍDOS


Sonhos caídos ferem e machucam

Mas permanecem junto aos donos 

Rosas tristes, sem vida, murcham

Mas ainda são lindas no outono


Águas passadas e as lembranças

Trazem muitas reais desavenças

Mas pertencem às nossas andanças

E nos impõem a inevitável presença


Pessoas tomam rumos adversos

Mas ainda são nossos semelhantes

Mesmo quando ausentes nos versos

Precisam de nós para seguir adiante


São anjos caídos mas ainda anjos

Que pra se erguer buscam socorro

Roubam do músico o seu arranjo

Esquecem o trovador além do morro


Mas nunca a canção foi tão longe

E não vi o poeta se acomodar

Há uma inquietação de sul a norte

E sempre aquela vontade de acertar


KATIA CHIAPPINI


AOS SETENTA ANOS DE VIDA

AOS SETENTA ANOS DE VIDA



Vida avançada, vida ativa 

Aos setenta anos, sim, é possível

O sorriso lindo ainda cativa

E a simpatia é bem visível

Mas, percebam bem pessoas

A vivacidade nos surpreende

Aos setenta um coração ainda soa

E aos amores também se rende

Aos setenta não mais brigamos

Acumulamos todo o carinho

Com alegria ainda bordamos

Aquela linda colcha de linho

Pretendemos chegar aos 80

Antecipamos alguns abraços

De transcender somos sedentas

Para conquistar nosso espaço

Deixem-nos voltar à infância

Dos pássaros ouvir a sinfonia

E dos familiares nessa instância

Buscar amor ,prazer e sintonia

Aos vinte anos íamos ao bar

Dançávamos a noite inteira

Aos70 gostamos de ver o mar

De brincar com os netos na areia


KATIA CHIAPPINI


quinta-feira, 22 de agosto de 2024

AMOR SACRIFICADO

                  AMOR SACRIFICADO


O ato de amor já se deteriorou

Resume-se ao prazer com pressa

Sentir-se pleno não mais se cogitou

E enamorar-se, por que? ora essa!

É um jogo perigoso e sem verdade

O momento da conquista hibernou

Nulos, o sentimento de amor e amizade

O verdadeiro envolvimento terminou

Faz-se sexo sem no amor pensar

E esse prazer meteórico não aceito

Como um vai com o outro se importar

Se o banquete foi feito para outro eleito?

Não há mais aquele encontro planejado

O cupido não atinge o alvo certeiro

Amores enlameados e fruto do pecado

Fazem desacreditar o amor verdadeiro

Ninguém quer ficar comprometido

Ninguém mais chora um grande amor

Emoções se diluem, sem nenhum sentido

Somos, um e outro, fantasmas sem cor

Talvez meu querer seja bobagem de mulher

Mas, ainda penso no amor de outrora

Hoje, sexo por prazer é só o  que se quer 

Porque de nada vale o sentimento agora


KATIA CHIAPPINI






 

SOCORRO

                                SOCORRO


Dizer meu nego não pode

Dizer gringo não agrada

Pega o tapete e sacode

Deita e nem fala mais nada 


Gordinho ofende, não fala

Baixinho não diga também

Pensa antes ou se cala

Pra não provocar ninguém


Hoje tudo parece ofensa

Argumentar virou besteira

Quem dá um soco não pensa

Pensar virou uma baboseira


Meu melhor amigo sumiu

Nem fiquei sabendo o motivo

Nada escutou, nem me viu

Não se faz análise, nem crivo


O mundo cruel nada desculpa

O xingamento é ato normal

Se paga o que não se tem culpa

Todo o argumento é superficial


Socorro, me entendam de vez

Antes que eu caia na gandaia

Se eu perceber ruborizada a tez

Juro que vou meditar no Himalaia


Mas, trazia só um pão na sacola

O mendigo que me surpreendeu

Ao invés de me pedir uma esmola

Fitou-me rindo e falou: vá com Deus


KATIA CHIAPPINI