DIA DO PROFESSOR !
Tens a fé como missão
E a luz que não se apaga
És agente da educação
E do saber que se propaga
Não te deixes inibir
Os jovens te solicitam
Se pensares hás de convir :
-És consolo aos que gritam
Tens o valor de um pai
E não só a roupa vestes
Tens a força do samurai
E sabes a que viestes
És intrépido qual leão
Tua força está no bem
Trabalhas por vocação
Sem a ilusão do vintém
Ao lançares a semente
Fazes a escolha perfeita
Tiras das sombras a mente
E a virtude é tua colheita
Antes, mais valorizado
Recebias a homenagem
Hoje o fardo é mais pesado
Mas esperas pela estiagem
Tua bandeira ainda brilha
Tens alma no ensinamento
Divulgas o saber que fervilha
Não te assusta o momento
Os livros, se bem reparaste
São tua segunda visão
Deles nunca te afastes
São do espírito o clarão
Teu destino é tua verdade
Dos mestres segue a direção
És exemplo de tenacidade
Professor com jeito de irmão
Honra à luta quem prometeu
Pregar o direito à liberdade
O homem decorou e esqueceu
De praticar a humanidade
KATIA CHIAPPINI
Pensamentos,poesias e crônicas de minha autoria,para os apreciadores de gotas poeticas. Essas constituem um bálsamo para a paz espiritual,cujas ondas se inserem na harmonia do cosmos.
terça-feira, 9 de outubro de 2012
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
DIA DA CRIANÇA ; 12/10
CRIANÇA !
É esperança
Pujança
Se lança
Mansa
Não cansa
Na andança
Se balança
É semente
Da gente
Envolvente
Carente
Efervescente
Displicente
Surpreendente
Eu a quero
Me esmero
É sincero
Eu a venero
E a espero
Sou austero
Algo severo
É a filha
Fervilha
Faz guerrilha
O olho brilha
Não é ilha
Ninguém encilha
Não é mobília
Precisa carinho
Pais pertinho
No caminho
É passarinho
Junto ao ninho
Dê-lhe o cavalinho
Chame-a de amorzinho
É bondade
Simplicidade
Realidade
Preciosidade
Bela como jade
É cumplicidade
E felicidade
KATIA CHIAPPINI
VAMOS DESEJAR ÀS CRIANÇAS QUE POSSAM VOLTAR A SER CRIANÇAS FELIZES COMO DIZ UMA LINDA CANÇÃO.
É esperança
Pujança
Se lança
Mansa
Não cansa
Na andança
Se balança
É semente
Da gente
Envolvente
Carente
Efervescente
Displicente
Surpreendente
Eu a quero
Me esmero
É sincero
Eu a venero
E a espero
Sou austero
Algo severo
É a filha
Fervilha
Faz guerrilha
O olho brilha
Não é ilha
Ninguém encilha
Não é mobília
Precisa carinho
Pais pertinho
No caminho
É passarinho
Junto ao ninho
Dê-lhe o cavalinho
Chame-a de amorzinho
É bondade
Simplicidade
Realidade
Preciosidade
Bela como jade
É cumplicidade
E felicidade
KATIA CHIAPPINI
VAMOS DESEJAR ÀS CRIANÇAS QUE POSSAM VOLTAR A SER CRIANÇAS FELIZES COMO DIZ UMA LINDA CANÇÃO.
domingo, 7 de outubro de 2012
RESGATANDO MINHAS LEMBRANÇAS
RAPUNZEL : ANOS 60.
Era uma adolescente
Eram rígidos os costumes
Eu ouvia -era obediente -
Minha filha -não fume -
Eu ficava na sacada
Observando a paisagem
Vendo aquela gurizada
E suas molecagens
Não havia permissão
Para descer na calçada
Mamãe chamava atenção:
-Nada de ficar misturada
Um menino me olhava
Entre curioso e entediado
Valha-me Deus -eu rezava -
Mas não estaria a seu lado
Um dia em meu apartamento
Jogamos dama -encantados -
Mamãe permitiu o momento
Hoje, por mim, lembrado
Chico, era esse o seu nome
Deu-me um perfume e o talco
Via em seus olhos a fome
Mas a sacada era o meu palco
Era uma simples paquera
Mas nada se podia dizer
Ficou o sonho e a quimera
E meus pais a me proteger
Eu tinha cabelos compridos
Como Rapunzel e os trançava
Tendo o sentimento contido
As tranças nunca jogava
Era a única e desejada filha
Com cuidados especiais
Sentia-me quase uma ilha
Temente a Deus e aos pais
Quando prestei vestibular
Outro moço se aproximou
Joguei as tranças, sem pensar
E nelas, breve se enroscou
Entregou-se á sedução
Em meu corpo deslizou
Foi amor e foi paixão
Rapunzel se libertou
Chico não foi meu namorado
Anos após o vi na hidro
Olhou-me surpreso e assustado:
-É Rapunzel da redoma de vidro
KATIA CHIAPPINI
sábado, 6 de outubro de 2012
RENÉ DESCARTES: PENSO LOGO EXISTO
PENSO LOGO EXISTO ?
Não sei se ainda existo
Se a mim reconquisto
Nem sei se sou benquisto
Nem que camisa visto
Pouco sei de tudo isto
Não rogo nada ao senhor
Nem creio mais no amor
Ele perdeu-se na dor
Deixou o vazio, o torpor
Revestiu-se de amargor
Nem sei se ainda penso
Não busco o bom senso
Nem a mim venço
Ando mais que repenso
Nem a mim convenço
Caiu por terra a verdade
Só existe a falsidade
Vinga só a maldade
Não restou a saudade
Nem aquela amizade
Se pensasse existiria
Mas vivo em agonia
O sentimento se resfria
Vejo a cadeira vazia
Não te vejo, nem podia
Tua toalha está fria
O travesseiro não te espia
O roupão está sobre a pia
Tua mala sumiu de dia
E de noite sumiu a alegria
Estou só e esquecida
Sem forças, sem guarida
Não reclamo mesmo sofrida
Mesmo sem rumo na vida
Ou chorando na avenida
Fiquei inerte, assim
Pensar dá trabalho -enfim -
Não rego mais o jasmim
Nem vejo da rosa o carmim
Mas ninguém pára por mim
Ser ou não ser ? -sinto dizer -
Nova premissa a resolver
Quando nova teia eu tecer
Vou meu pensar percorrer
Pra reencontrar o meu ser
Perdi de Deus a essência
Vou trilhar nova tendência
Suprir minha dependência
Encontrar minha efervescência
Justificar minha existência
KATIA CHIAPPINI
Não sei se ainda existo
Se a mim reconquisto
Nem sei se sou benquisto
Nem que camisa visto
Pouco sei de tudo isto
Não rogo nada ao senhor
Nem creio mais no amor
Ele perdeu-se na dor
Deixou o vazio, o torpor
Revestiu-se de amargor
Nem sei se ainda penso
Não busco o bom senso
Nem a mim venço
Ando mais que repenso
Nem a mim convenço
Caiu por terra a verdade
Só existe a falsidade
Vinga só a maldade
Não restou a saudade
Nem aquela amizade
Se pensasse existiria
Mas vivo em agonia
O sentimento se resfria
Vejo a cadeira vazia
Não te vejo, nem podia
Tua toalha está fria
O travesseiro não te espia
O roupão está sobre a pia
Tua mala sumiu de dia
E de noite sumiu a alegria
Estou só e esquecida
Sem forças, sem guarida
Não reclamo mesmo sofrida
Mesmo sem rumo na vida
Ou chorando na avenida
Fiquei inerte, assim
Pensar dá trabalho -enfim -
Não rego mais o jasmim
Nem vejo da rosa o carmim
Mas ninguém pára por mim
Ser ou não ser ? -sinto dizer -
Nova premissa a resolver
Quando nova teia eu tecer
Vou meu pensar percorrer
Pra reencontrar o meu ser
Perdi de Deus a essência
Vou trilhar nova tendência
Suprir minha dependência
Encontrar minha efervescência
Justificar minha existência
KATIA CHIAPPINI
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
DIA 5 DE OUTUBRO !:
DIA MUNDIAL DO PROFESSOR
AOS QUERIDOS PROFESSORES !
Intrépido professor
É um lutador
Na lida desbravador
Fiel missionário
Aceitando o seu calvário
Com ou sem salário
Hoje vilipendiado
Quase sabotado
No sonho sonhado
Ensina por ideal
É um ser irreal
De fibra e sem igual
Sem eco e autonomia
Frágil qual boia fria
Desafia o dia a dia
Quantas vezes baleado
Pelo desqualificado
Viu seu saber castrado
Transita entre espinhos
Roupas em desalinho
Tímido e estranho ao ninho
A educação padece
O ensino enfraquece
E a violência prevalece
Que pouca vergonha !
Alguém se proponha
Enfim se disponha
Breve a colaborar
Para os direitos resgatar
E aos mestres apoiar
Não é um mestre-sala
Mas prepara sua ala
Veste ligeiro o seu pala
Desfralda sua bandeira
E queira ou não queira
Escala e vence a ladeira
Escala e vence a ladeira
Seja filho ou neto
Não se mostre inseto
Não dê o seu veto
Antes torne-o eleito
Nesse ou naquele pleito
Resgate o seu respeito
Faça logo esse tema
Diga não ao esquema
Conteste o sistema
Ninguém o sequestra
O mestre é mola mestra
Regente de uma orquestra
Não se deixe ficar quieto
Conserve o livro aberto
E o professor por perto
Abra os olhos para ver
Não deixe o vento varrer
A sala de aula e o saber
Seu fim não é a cobiça
Luta só por justiça
Como primeira premissa
Mas sabe que deixou a selva
Para aterrissar na treva
Qual triste Adão, triste Eva
Não permita que a internet
Substitua o seu valete
E nem queira ser a vedete
É o mestre que aperta o passo
Para lhe dar seu abraço
E lhe doar seu cansaço
KATIA CHIAPPINI
UMA SINGELA MAS CARINHOSA HOMENAGEM AOS DESTEMIDOS E DETERMINADOS PROFESSORES QUE SE INSEREM NA SOCIEDADE COM FORMADORES DE OPINIÃO
UMA SINGELA MAS CARINHOSA HOMENAGEM AOS DESTEMIDOS E DETERMINADOS PROFESSORES QUE SE INSEREM NA SOCIEDADE COM FORMADORES DE OPINIÃO
E GRANDES DIVULGADORES DA CULTURA.
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
MEDALHAS :2
MEDALHA DE ESTIMAÇÃO
Quem a conheceu dela se aproximou e reconheceu sua bondade.Tinha um belo sorriso, voz firme, um jeito carinhoso de ser Dinâmica, aos 80 anos. Ocupava-se das lides domésticas com esmero, aos netos, às orações diárias. Essa era minha avó: D. Glória
Sua liderança também se exercia na profissão de meu avô a quem auxiliava na farmácia.
Vovó costumava mencionar uma medalha do Sagrado Coração de Jesus, que conservava pendurada no pescoço. Era uma relíquia de família, de ouro 18, com dois pequenos brilhantes e duas pedrinhas de rubi. Pertencera a tantos antepassados que já se perdera a noção do tempo que estava na mesma família. Minha vó invocava o Sagrado Coração, todos os dias, pedindo que olhasse por todos nós.
Vovó morava em Santana do Livramento onde eu e meus primos passávamos as férias escolares. Quando meu avô faleceu fui vê-la, de imediato. Choramos abraçadas, pois, eu e meus avós éramos muito unidos. Meu avô me dedicava especial atenção porque eu levava vovó onde quisesse ir e procurava estar perto de sua cadeira de balanço, onde permanecia, após terminada a lida da casa.
O primeiro bispo do Rio Grande do Sul foi meu tio distante e crescemos ouvindo dizer que o fato de existir um bispo em nossa família nos daria uma bênção especial até a oitava geração. Ele se encontra sepultado na catedral de Porto Alegre, onde se avista uma cadeira vermelha, junto ao altar e que foi comprada para o seu uso.
Chamava-se Feliciano José Rodrigues de Araújo Prates, primo de minha avó. A mãe do tio bispo já usara a medalha que agora pertencia a minha avó.
Quando vovó veio a falecer dispensou-se o testamento por escrito. Os filhos se reuniram e já sabendo das disposições de minha avó partilharam seus bens na mais perfeita harmonia.
Ao pender a cabeça sobre o ombro de uma das filhas, vovó sentindo-se fraca, sem nenhum gemido, olhou para ela e sussurrou ao morrer :
-A medalha do Sagrado Coração é de minha neta Katia. Pouco depois eu recebi de minha mãe ,sua filha mais velha, a medalha que me fora presenteada no leito de morte. Pequenos gestos que tive para com minha avó ficaram guardados em seu coração. A medalha
foi a prova material de seu apreço por mim. Lembrei-me de que ouvira meus primos e tios indagarem sobre quem receberia a medalha de vovó e, na época, nem dei atenção a isso. Mas lembro-me de que vovó dava seu mais belo sorriso como resposta.
Ao colocá-la em mim senti a energia de vovó e mentalizei que me desse proteção nos momentos de conflitos íntimos, a mim e a minha família. O Sagrado Coração já está comigo, faz alguns anos. E está nas minhas preces e junto ao coração.
Pode parecer falta de lucidez, excesso de imaginação, ilusão ou motivo de estranheza, mas o fato é que creio na força e na vibração da medalha. E essa fé se confirmou por ocasião do fato que passo a narrar :
-Vou compartilhar com vocês.
Certa ocasião preparei-me para ir às compras, como de hábito. Uma hora depois voltei portando várias sacolas em cada mão, deixando a bolsa pendurada pela alça em meu ombro direito. Andei em direção à casa percorrendo algumas quadras em linha reta até dobrar uma esquina onde deveria descer a lomba íngreme. Desci metade dela e senti uma presença ,atrás de mim, como se surgisse das sombras, sorrateiramente. Virei-me, assustada, mas controlada. Um homem alto, maltrapilho, fixou-me o olhar. Rapidamente, tratei de esboçar o meu melhor sorriso e desejei do fundo da alma que esse fosse o do melhor momento, meu único escudo, depositário da crença , que ainda conservo, na ternura do ser. A seguir toquei-lhe o ombro com firmeza e disse :
- Com licença, preciso prosseguir.
Enquanto eu dizia essas palavras tratei de tirar de uma das sacolas um saco de leite e outro de pães, depositando, ambos, nas mãos do homem. Ao levantar a cabeça, percebi, ao erguer os olhos, os seus olhos fixados em minha medalha e em meu rosto. Certamente estava surpreso com meu tratamento. E, sem tirar os olhos da medalha, desceu correndo lomba abaixo, nervoso, falando alto e vociferando blasfêmias. A certa altura, parou perto da parede, junto à calçada e bateu com a própria cabeça e logo depois soluçou. O choro chamou a atenção dos transeuntes e no rosto do homem havia um misto de dor e desespero, ou mesmo, arrependimento, por não ter roubado minhas sacolas. Um senhor bem vestido, com físico avantajado e aparentando ter coragem, a tudo observava. Dirigindo-se a mim falou :
- Estava a ponto de interferir e dar uma surra naquele homem se tentasse roubar suas sacolas.
Agradeci ao senhor e fui para minha casa, aliviada e surpresa. Respirei fundo, para relaxar, lembrando da explosão do homem e do seu desaparecimento logo depois.Tanto minha bolsa como as sacolas estavam intactas.
Apertei a medalha entre as mãos, agradecida, invocando a proteção do Sagrado Coração, do tio bispo, de minha vó Glória. Fiz uma prece, apertando a medalha, desejando que todos os santos olhassem para aquele coração sofredor. Fiquei a imaginar o que teria passado pelo pensamento de meu quase agressor para que não levasse nem minha bolsa, pendurada displicentemente no ombro e com a alça distante do corpo. E aquele olhar dele me deu um sentimento de pena e de uma quase tristeza.
Desejei, ardentemente, que encontrasse uma nova perspectiva de vida e a si mesmo, num novo caminho.
Que encontrasse, antes, um pequeno fragmento da centelha divina
que habita em todos nós. Ela é um presente de DEUS e recebemos ao nascer.
Que o homem sofredor de minha história possa encontrar algum alento para sua alma atormentada porque me pareceu que guarda um pequeno núcleo de pureza em seu interior, em sua essência.
KATIA CHIAPPINI
Quem a conheceu dela se aproximou e reconheceu sua bondade.Tinha um belo sorriso, voz firme, um jeito carinhoso de ser Dinâmica, aos 80 anos. Ocupava-se das lides domésticas com esmero, aos netos, às orações diárias. Essa era minha avó: D. Glória
Sua liderança também se exercia na profissão de meu avô a quem auxiliava na farmácia.
Vovó costumava mencionar uma medalha do Sagrado Coração de Jesus, que conservava pendurada no pescoço. Era uma relíquia de família, de ouro 18, com dois pequenos brilhantes e duas pedrinhas de rubi. Pertencera a tantos antepassados que já se perdera a noção do tempo que estava na mesma família. Minha vó invocava o Sagrado Coração, todos os dias, pedindo que olhasse por todos nós.
Vovó morava em Santana do Livramento onde eu e meus primos passávamos as férias escolares. Quando meu avô faleceu fui vê-la, de imediato. Choramos abraçadas, pois, eu e meus avós éramos muito unidos. Meu avô me dedicava especial atenção porque eu levava vovó onde quisesse ir e procurava estar perto de sua cadeira de balanço, onde permanecia, após terminada a lida da casa.
O primeiro bispo do Rio Grande do Sul foi meu tio distante e crescemos ouvindo dizer que o fato de existir um bispo em nossa família nos daria uma bênção especial até a oitava geração. Ele se encontra sepultado na catedral de Porto Alegre, onde se avista uma cadeira vermelha, junto ao altar e que foi comprada para o seu uso.
Chamava-se Feliciano José Rodrigues de Araújo Prates, primo de minha avó. A mãe do tio bispo já usara a medalha que agora pertencia a minha avó.
Quando vovó veio a falecer dispensou-se o testamento por escrito. Os filhos se reuniram e já sabendo das disposições de minha avó partilharam seus bens na mais perfeita harmonia.
Ao pender a cabeça sobre o ombro de uma das filhas, vovó sentindo-se fraca, sem nenhum gemido, olhou para ela e sussurrou ao morrer :
-A medalha do Sagrado Coração é de minha neta Katia. Pouco depois eu recebi de minha mãe ,sua filha mais velha, a medalha que me fora presenteada no leito de morte. Pequenos gestos que tive para com minha avó ficaram guardados em seu coração. A medalha
foi a prova material de seu apreço por mim. Lembrei-me de que ouvira meus primos e tios indagarem sobre quem receberia a medalha de vovó e, na época, nem dei atenção a isso. Mas lembro-me de que vovó dava seu mais belo sorriso como resposta.
Ao colocá-la em mim senti a energia de vovó e mentalizei que me desse proteção nos momentos de conflitos íntimos, a mim e a minha família. O Sagrado Coração já está comigo, faz alguns anos. E está nas minhas preces e junto ao coração.
Pode parecer falta de lucidez, excesso de imaginação, ilusão ou motivo de estranheza, mas o fato é que creio na força e na vibração da medalha. E essa fé se confirmou por ocasião do fato que passo a narrar :
-Vou compartilhar com vocês.
Certa ocasião preparei-me para ir às compras, como de hábito. Uma hora depois voltei portando várias sacolas em cada mão, deixando a bolsa pendurada pela alça em meu ombro direito. Andei em direção à casa percorrendo algumas quadras em linha reta até dobrar uma esquina onde deveria descer a lomba íngreme. Desci metade dela e senti uma presença ,atrás de mim, como se surgisse das sombras, sorrateiramente. Virei-me, assustada, mas controlada. Um homem alto, maltrapilho, fixou-me o olhar. Rapidamente, tratei de esboçar o meu melhor sorriso e desejei do fundo da alma que esse fosse o do melhor momento, meu único escudo, depositário da crença , que ainda conservo, na ternura do ser. A seguir toquei-lhe o ombro com firmeza e disse :
- Com licença, preciso prosseguir.
Enquanto eu dizia essas palavras tratei de tirar de uma das sacolas um saco de leite e outro de pães, depositando, ambos, nas mãos do homem. Ao levantar a cabeça, percebi, ao erguer os olhos, os seus olhos fixados em minha medalha e em meu rosto. Certamente estava surpreso com meu tratamento. E, sem tirar os olhos da medalha, desceu correndo lomba abaixo, nervoso, falando alto e vociferando blasfêmias. A certa altura, parou perto da parede, junto à calçada e bateu com a própria cabeça e logo depois soluçou. O choro chamou a atenção dos transeuntes e no rosto do homem havia um misto de dor e desespero, ou mesmo, arrependimento, por não ter roubado minhas sacolas. Um senhor bem vestido, com físico avantajado e aparentando ter coragem, a tudo observava. Dirigindo-se a mim falou :
- Estava a ponto de interferir e dar uma surra naquele homem se tentasse roubar suas sacolas.
Agradeci ao senhor e fui para minha casa, aliviada e surpresa. Respirei fundo, para relaxar, lembrando da explosão do homem e do seu desaparecimento logo depois.Tanto minha bolsa como as sacolas estavam intactas.
Apertei a medalha entre as mãos, agradecida, invocando a proteção do Sagrado Coração, do tio bispo, de minha vó Glória. Fiz uma prece, apertando a medalha, desejando que todos os santos olhassem para aquele coração sofredor. Fiquei a imaginar o que teria passado pelo pensamento de meu quase agressor para que não levasse nem minha bolsa, pendurada displicentemente no ombro e com a alça distante do corpo. E aquele olhar dele me deu um sentimento de pena e de uma quase tristeza.
Desejei, ardentemente, que encontrasse uma nova perspectiva de vida e a si mesmo, num novo caminho.
Que encontrasse, antes, um pequeno fragmento da centelha divina
que habita em todos nós. Ela é um presente de DEUS e recebemos ao nascer.
Que o homem sofredor de minha história possa encontrar algum alento para sua alma atormentada porque me pareceu que guarda um pequeno núcleo de pureza em seu interior, em sua essência.
KATIA CHIAPPINI
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
DESCULPE-ME !
A POESIA QUE NÃO LI !
Os avanços dos gênios da ciência e tecnologia e de mentes privilegiadas que se dedicam aos demais campos do saber, pouco contribuem na aquisição de valores cristãos. O homem descobre outros mundos mas continua a não entender o seu próprio. Os atos falhos provam que temos muito a aprender. Percebi, faz tempo, que as imposições da vida, em busca da sobrevivência, nos tornam seres alienados. Mas, sempre podemos nos arrepender e reconsiderar nossos atos. E a serenidade irá restabelecer o equilíbrio e devolver o bom senso.
Certa manhã, eu caminhava apressada, quando avistei um homem alto, magro, com gestos nervosos, balançando algumas folhas na mão. Ao chegar mais perto percebi que se tratava de um pequeno caderno que ele apresentava a cada transeunte. Apressei o passo.
Mesmo assim o homem veio em minha direção e disse :
-Senhora, leia e me dê uma força.
-Não repare, fica para outro dia.
Ao ouvir essas palavras o rosto do homem ficou triste.
Como se adivinhasse algo, voltei os olhos, consegui ler em letras grandes, o título da publicação. Lá estava escrito : - meus poemas -
Questionando a mim mesma compreendi que se eu desse atenção ao poeta veria um lindo sorriso em seus lábios e essa imagem me faria bem. O dinheiro não traz o conforto que uma palavra amiga transmite. Prometi a mim mesma não incorrer no mesmo erro. Principalmente porque amo poesias e as escrevo para um seleto público que já se acostumou a lê-las.
A poesia que não li poderia ser a mais sincera; poderia revelar a ternura da alma de um poeta; poderia transmitir ternura e ser de uma inocência pueril.
A poesia que não li não deveria se transformar num fardo para mim, cujo peso alterasse minha consciência. Mas deveria e poderia se constituir numa lição de vida, na medida que me deixasse perceber e assimilar uma singela verdade:
-Enquanto houver um ser sensível para expandir sua alma num poema, haverá um leitor incansável.
KATIA CHIAPPINI
Dedico essa crônica a todos os poetas para que assimilem seus valores, cresçam em dignidade e não se arrependam de escrever jamais. E, penso que embora nem sempre sejam compreendidos, continuem a embalar os nossos sonhos e fantasias.
Afinal, o que seria da realidade se não fossem os sonhos ?
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