SE EU QUISER FUGIR DE MIM...
Fugir de si não é a missão
Encontrar-se é o critério
Fugir é soltar a mão
Deus pode levar à sério
Fugir é capitular
Se isolar para virar vulto
A vida não vai perdoar
Mostra a face que eu osculto
Problemas não põem a mesa
Sobreviver é a questão
Lutar com fé e destreza
É garantir o ganha pão
O lugar está marcado
Nos cabe honrar a vida
Sofrer mas dar o recado
Velar a pessoa querida
Não somos sós, nem ilha
Fazer o bem é a senha
Honrar e amar à família
E se o amor vier -que venha -
Amar é como pular corda
Traz um sorriso à face
Quem a si doa, transborda
E quem recebe renasce
KATIA CHIAPPINI
Para ADELIA, com carinho !
APRESENTANDO O PIANO !
( e minhas recordações e ilações,junto a ele)
O piano é um instrumento nobre e apenas sua visão nos transporta aos célebres músicos eruditos tais como Bach, Mozart, Beethoven, Schubert, Liszt, Brahms. Nos vemos em salões de Viena em meio a valsas, minuetos, mazurcas. Quem ouve o som de um piano lembra de anjos dançando, de um mundo de magia onde as fadas se espreguiçam e se acordam para habitar os livros de histórias infantis. Ou visualiza os duendes acordando os sete anões para dizer a eles que Branca de Neve está demorando para voltar para casa.
Chamo as teclas brancas de plebeias e as pretas de nobres.
Sempre pensei que somos um pouco de tudo e que necessitamos nos completar, uns aos outros. Quando as teclas pretas são chamadas para harmonizar, a melodia se torna expressiva e atinge o seu apogeu. Os tons menores precisam das teclas pretas para expressar sua tristeza. Aos tons maiores cabe expressar alegria. Os tons menores finalizam com um sentido de suspensão, algo inacabado como se faltasse mais um acorde. Os tons maiores finalizam com determinação e não deixam dúvidas de sua resolução.
Em nossa vida, ora somos Dó maior, ora Dó menor. As vezes alegres e outras tristes, mas nunca só alegres ou só tristes.
Estar feliz ou triste é uma permissão que damos a nós mesmos, por nossa livre escolha, por nosso modo de ver a vida.
Mas seja qual for a hora que estivermos vivendo a vida se nos exige continuidade e constância.
Quando nos encolhemos em nossas angústias ,sentados no chão, pendendo a cabeça sobre os joelhos, então é porque estamos nos tornando um Dó diminuto. Quando cantamos bossa nova com nova postura e um novo olhar, tentando colher as estrelas do céu, então é porque nos sentimos um Dó aumentado, em toda plenitude E, certamente, João Gilberto, Vinicius de Morais e Tom Jobim ergueriam sua taça para brindar conosco. Quando o riso nos vem leve e solto estamos nos transformando numa escala cromática brincalhona e saltitante. Se pisarmos em ovos o andamento é lento; se andarmos rápido é presto; se corrermos na chuva de verão é prestíssimo; se cantarmos para ninar a criança nos transformamos em adágio; se sambarmos na casa de bamba, estaremos no Brasil e a gafieira pedirá passagem. Se estivermos vivendo um grande amor estaremos vivendo o Bolero de Ravel, em toda sua intensidade.
A música é criativa e nos acompanha em todos os nossos passos. Pertence a todos os povos de todos os continentes.
Tenho a felicidade de ter um piano em minha sala e acima dele uma pintura à óleo de Frederico Scheffel, um talento do Rio Grande do Sul, que fez sua fama nos países europeus. A tela remete ao Rio de Janeiro ,ano de 1951, quando lá morei com meus pais. Retrata minha mãe,no auge da beleza, aos trinta anos. Sua presença ali, junto ao piano, é um modo de tê-la comigo para dedicar-lhe as músicas que me pedia para tocar.
O piano encanta a todas as gerações É um privilégio tocá-lo, ouvi-lo, abrir sua tampa ao entardecer, para então abrir as comportas da emoção, através de um som inigualável em beleza. Quando a tampa se fecha saímos embevecidos e de alma leve, sem querer sair.
Saímos do mundo do sonho, bruscamente, ao ouvir um dos filhos, por exemplo, gritar, inquieto:
- Mãe, precisa fazer mais feijão !
Que sensível diferença entre esses dois mundos!
Que mundo prosaico nos aguarda onde a realidade nos atropela com outros compromissos inadiáveis em nome de nossa responsabilidade e competência !
Então,perdemos um tempo para tratar da obrigação culinária.
Mas, logo depois, a fuga também se faz inadiável:
- Filho, está pronto o feijão.
E assim dizendo volto a sonhar Chopin, o meu compositor preferido.
KATIA CHIAPPINI
Email : katia_fachinello42@hotmail.com
O SORRISO
Ele ilumina o nosso rosto
No espelho vai se refletir
Um sorriso lindo e bem posto
É luz constante a se expandir
Clareia também nossa alma
É a janela do coração
Indica paz traz a calma
Na face, na expressão
É um dom de Deus - gentil -
Não se compra, se conquista
Não acolhe o homem vil
Que nos desvia sua vista
O sorriso tanto vai como vem
É produto de outro sorriso
Comunica o bem e vai além
Quero-o comigo onde piso
É entendido o sorriso
Em todo e qualquer idioma
Aprender a sorrir é preciso
Pra em vida, não entrar em coma
Sorrir é falar de um amor
Demonstrar carinho e afeto
Sorrir é enganar a dor
É banir o mal secreto
O sorriso vale a palavra
Ajuda a ser e a crescer
Nesse poema de minha lavra
O sorriso é pra dar -não vender -
Sorrir é alegrar os seus
É conquistar o namorado
Se sorrir aos crentes ou ateus
Estará transmitindo seu recado
Quem não tem um sorriso
Precisa ainda mais do seu
Não sorrir é sempre um aviso
De que o caos se estabeleceu
Um rosto amigo e ainda alegre
Pode ser visto da janela
Sorria, sim, em Porto Alegre
Na cidade ou na favela
Quem busca só fama e ouro
Não tem tempo pra nada ser
Antes quer repassar o choro
Desvirtuando o bem-viver
Dar sentido ao seu viver
É sorrir continuamente
É pôr as mágoas pra correr
É sorrir já ao sol nascente
O efeito de um riso amigo
É desabrochar na alegria
É trazer a esperança consigo
É fugir da pálida nostalgia
Sorrir é saber brincar de roda
Rodopiar com o filho e o neto
Vai estar sempre na moda
Como o seu melhor projeto
Cuido de uma amiga, em seu leito
Que aos oitenta sorri ao me ver
Conto minha história ou invento
E seu sorriso é só o que quero ter
KATIA CHIAPPINI
Email: katia_fachinello42@hotmail.com
CONVERSANDO COM O LEITOR
Caro leitor:
Seja bem-vindo ao mundo da poesia e das crônicas que escrevo.
Você pode conferir os trabalhos que tiveram mais acessos nesse blog :
O gaúcho - em 28/3
Porto Alegre -em 5/3
Sobre a letra F -em27/3
Meditação - 31/3
Porto Alegre- 7/4
Amor ou amizade -7/4
Visão de uma imagem no espelho -27/3
Sobre a paixão -8/4
Ser -29/3
O acordeon -21/2
Se você descobriu o blog ,agora, no mês de janeiro de 2013, será interessante descortinar os textos de maior acesso.
Se já o conhecia mas ainda não leu os citados, poderá ter um panorama geral dos sentimentos que movem a autora a se expressar com poemas e crônicas para compartilhar todas as noites com seus leitores.
SEJAM SEGUIDORES E DIVULGADORES DO BLOG
OBRIGADA !
KATIA CHIAPPINI.
Passe um e-mail comentando o que você mais apreciou e auxilie a autora a ver quais os temas de sua preferência.
Ou pode sugerir quais os temas ou o tema que gostaria de ver publicado nesse blog que é para seu momento de lazer.
Os temas sugeridos poderão se transformar em poesia !
MUITO OBRIGADA POR SUA ATENÇÃO !
email: katia_ fachinello42@hotmail.com
AMOR : MAGIA E VIDA
Inúmeras vezes ouvimos dizer que o amor opera milagres, move montanhas, vence o mal e impulsiona o ritmo da vida. Uma relação estável não se mantém sem cultivar a presença do amor.
Existe o amor filial, o de quem pratica voluntariado, o do sacerdote, o do médico por seus pacientes, o do professor por seus alunos. Existe o amor que se prende à aventuras radicais, cujos perigos, evidentes, não assustam seus praticantes. Existem os apaixonados por automobilismo, que mesmo após inúmeros acidentes, nem pensam em desistir das corridas. Existem cadeirantes que dançam nos palcos orientados por abdicados professores.
O famoso compositor da Sonata ao Luar, não se abateu com sua surdez e tornou-se um dos gênios da música erudita. E os drogados encontram forças para compor lindas melodias, em nome do amor. E muitos escritores injustiçados, quando estão se dedicando ao trabalho, demonstram seu amor pelos textos publicados e se tornam gênios da ficção. E os pais adotivos amam incondicionalmente.
Mas toda essa explanação foi para contar que tive uma prova irrefutável do poder mágico da palavra amor.
Fui casada por 33 anos, tive meus filhos, tive o prazer de vê-los formados e de se tornarem bons profissionais. Apesar de estar separada por 15 longos anos amei meu marido e tive uma família que só me deu alegrias.
Ao constituir outra família, meu ex-marido e eu passamos a nos falar com menos frequência porque a separação seguiu seu ritmo normal e a distância foi resultante de um processo gradativo e natural.
Esse ano de 2012 passei, como é de hábito, a noite de natal e a de ano novo junto aos filhos. Em dado momento lembraram de ligar para o pai, pela passagem do ano novo. Fiquei observando o modo carinhoso como se dirigiam a ele desejando um ano repleto de novos projetos de vida. Um dos filhos confirmou o comparecimento ao almoço de primeiro de janeiro, aceitando o convite do pai.
Enquanto eu os ouvia ao telefone, assistia um filme de minha própria vida de casada, onde a alegria do ex-marido, ao brincar com os filhos, era um verdadeiro espetáculo de ternura, eivado de risos.
Lembrei do convívio à hora do almoço, do churrasco dos finais de semana, dos verões na praia de Torres, das saídas noturnas para dançar no clube com casais amigos.
Esses acontecimentos levaram meu pesamento a outros tempos, quando a família estava completa.
Ao mesmo tempo, cuidava os filhos ao telefone. Antes que o último a falar desligasse pedi para dar uma palavra com o ex-marido.
Mas vejam o que me veio do fundo da alma, de antiga memória e que me fez voltar ao passado :
- Oi, amor, quanto tempo ?
-Sim, nega, como vai ?
-Estou bem e só vim desejar um bom ano.
- Obrigada, amor.
Não só minha voz ficou diferente. A voz do outro lado me respondeu com lentidão, trêmula, com pequenas pausas e com a mesma emoção que percebi em minha própria voz.
Nesse instante ainda ouvi minha filha falar baixinho :
- Mas o que é isso ?
Ao mesmo tempo vi meu filho fazendo sinal e tinha a fisionomia de poucos amigos, ao balançar a cabeça surpreso.
Os filhos não queriam que eu deixasse o pai deles triste o que poderia acontecer facilmente se o diálogo se prolongasse.
Mas tenho que referir que após a separação, meu ex-marido continuava a me presentear, toda a semana, com cucas, mariola, frutas, vinhos e outras guloseimas que trazia de suas viagens. E muito tempo ainda continuou telefonando na tentativa de me fazer aceitar seu convite para jantar, embora eu o recusasse.
E quantos anos se passaram sem que ouvisse de meus lábios a palavra amor ?
Mas falei brevemente e senti um dos filhos me tocando no braço e pedindo que passasse o telefone antes de desligar. Ele queria dar um último recado ao pai e assim o fez.
Ao soltar o telefone no gancho olhou para mim sorrindo e disse:
- Mãe, pela voz do pai percebi que ainda não te esqueceu.
Nesse momento, pensei na palavra amor que desencadeou dupla emoção, pois apenas usada para cumprimentar, trouxe à tona tantos sentimentos guardados.Tive a sensação de que o amor por mim ele levou com ele e, ao mesmo tempo, o deixou comigo. Assim, a saudade que deixei naquele companheiro de longos anos, é a mesma que permaneceu em mim.
Só existe uma palavra que tem o poder de operar milagres e remover as pedras do coração deixando à mostra sentimentos contidos. Palavra mágica ! o teu nome é amor.
E lembrei agora de minha colega de magistério que ficou viúva, mas cujo marido já não estava mais no mesmo teto. Em nome desse amor que ficou arraigado nela, seu sentimento de dor, e talvez de inconformidade, a fez ficar de luto e usar trajes escuros durante um ano. Só o amor nos leva ao mundo dos sonhos perdidos, mas que se constituem nossos pedacinhos de vida. E só o sentimento que surge do ato de amar faz jorrar sentidas lágrimas de saudade, abundantes e ruidosas como a força das águas que deslizam da cachoeira, sem que se possa contê-las. Não se represam as forças da natureza e nem as manifestações provenientes de vivências amorosas.
E antes de concluir devo dizer que fiquei estranhamente feliz quando me surpreendi ao telefone, na noite de ano novo, dizendo :
- Oi, amor, quanto tempo?
KATIA CHIAPPINI
Email: katia_fachinello42@hotmail.com
DEUS !
DEUS !
Chamo por ti Senhor
Deus -rei da criação -
Chamo na alegria e na dor
Pra não me faltar o pão
Posso te ver ao léu
Na lua, na chuva que cai
No pintor e no pincel
Na dor de quem se vai
Na flor, na montanha
No verde -esperança
Em toda a façanha
No riso da criança
Na fonte esplendorosa
Na nuvem que corre
No cravo amando a rosa
Na lágrima que escorre
Na estrela cadente
Quando se pede um desejo
O que se pede se sente
Com minha fé eu te vejo
Tão justo quanto perfeito
És Arquiteto do Universo
Habitas todos os leitos
Sem acolher o perverso
Te vejo nos oprimidos
Em mãos que se procuram
Nos bons sonhos vividos
Nos amores que se torturam
Te vejo no amor doação
Que escolhe fazer o bem
És esperança em meu coração
Como no de quem nada tem
Não te quero lá no céu
Te quero perto de mim
Homem simples sem véu
Pra me ensinar a que vim
Se sou tua centelha divina
És ser humano também
Se me quiseres tua ovelha
Guia-me para o bem
KATIA CHIAPPINI
Email : katiachiappini_fachinello42@hotmail.com