O QUE AINDA RESTA ?
A espera tão prolongada
É algo que não se resiste
Não me sinto mais amada
E nem o serei, enquanto triste
Você jogou no precipício
Meu carinho, de repente
Não sou mais o seu início
Nem seu vício, nem me sente
Nunca soube o que pretende
Não fala, está sempre calado
Se pergunto não me entende
E se mostra contrariado
Melhor saber da verdade
Numa circunstância qualquer
Admiro a sinceridade
Vou buscá-la onde estiver
Se me aproximar da coerência
Não farei par com a adversidade
Meus olhos verão minha essência
E vencerei minha fragilidade
Admito perder o que não tive
Outros ciclos vão se definir
Parte de meu ser sempre revive
E viverá para me fazer sorrir
KATIA CHIAPPINI
Pensamentos,poesias e crônicas de minha autoria,para os apreciadores de gotas poeticas. Essas constituem um bálsamo para a paz espiritual,cujas ondas se inserem na harmonia do cosmos.
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
domingo, 11 de agosto de 2013
U M DESFECHO INUSITADO !
O BEIJO NA MÃO !
Existe um hábito que observamos ao andar de ônibus. É o ingresso de pessoas pedindo esmola, nas dependências do coletivo, para os mais variados fins. Em troca se recebe um santinho, um cartão de agradecimento ou u material explicativo que expõe o motivo do pedido.
As pessoas ouvem o pedinte sem dar atenção e nem se emocionam com os relatos. Isso porque há esmoleiros nas ruas, nas sinaleiras e em diversos pontos da cidade, com suas histórias sempre iguais e duvidosas. E filhos emprestados são usados para comover as pessoas e até crianças de colo passam fome e frio nas ruas.
Certo dia encontrei uma amiga no mesmo ônibus e fomos conversando durante o trajeto, colocando assuntos em dia e combinando um lanche no Shopping.
Um cidadão maltrapilho, falando com lentidão e de fisionomia abatida, nos chamou a atenção ao entrar no ônibus.
Expôs seus motivos para estar solicitando um auxílio e ao final do discurso se revelou aidético.
Minha amiga, impressionada, retirou uma nota de 5 reais da carteira e guardou a bolsa, novamente. Eu separei algumas moedas de minha niqueleira sem me preocupar com a quantia.
O homem foi passando entre os bancos e recebendo pequenas quantias em niqueis. E agradecia cada importância recebida, mesmo a de valor ínfimo.
Eu estava sentada junto à janela e minha amiga junto ao corredor do ônibus.
Em dado momento, quando percebi, o homem estava ao meu lado esperando a doação e tratei de colocar as moedas em sua mão.
Minha amiga sussurrou :
- Além de moedas o menor valor que tenho é uma nota de 5 reais.
- Mas e as moedas ?
- É que quero evitar o contato com a mão do pedinte.
- Então , mostre que está lhe oferecendo uma nota de 5 reais e peça que a pegue para guardar diretamente no bolso de sua calça.
- Sim, justamente , essa é a ideia.
Enquanto minha amiga fazia essa confidência vi o homem se distanciar para recolher outros donativos. Falei para minha amiga se levantar para dar o dinheiro a ele. Ela dobrou a nota ao meio, no sentido do comprimento, pegou numa ponta e apresentou a outra ponta para o homem recolher e guardar.
O homem abriu seu melhor sorriso e falou :
- Que Deus lhe retribua em dobro !
Minha amiga olhou para o homem, sem acreditar, conteve um gesto agressivo de repulsa, congelou a expressão de contrariedade e espanto. O que se explica porque o homem ficou tão feliz que , inesperadamente, puxou para si a mão de minha amiga e, antes que essa percebesse, a beijou. E exalando uma etérea felicidade ficou repetindo as palavras que ficaram ecoando no ônibus :
- Muito obrigado ! muito obrigado! muitíssimo obrigado !
KATIA CHIAPPINI
e-mail: katia_fachinello42@hotmail.com
Existe um hábito que observamos ao andar de ônibus. É o ingresso de pessoas pedindo esmola, nas dependências do coletivo, para os mais variados fins. Em troca se recebe um santinho, um cartão de agradecimento ou u material explicativo que expõe o motivo do pedido.
As pessoas ouvem o pedinte sem dar atenção e nem se emocionam com os relatos. Isso porque há esmoleiros nas ruas, nas sinaleiras e em diversos pontos da cidade, com suas histórias sempre iguais e duvidosas. E filhos emprestados são usados para comover as pessoas e até crianças de colo passam fome e frio nas ruas.
Certo dia encontrei uma amiga no mesmo ônibus e fomos conversando durante o trajeto, colocando assuntos em dia e combinando um lanche no Shopping.
Um cidadão maltrapilho, falando com lentidão e de fisionomia abatida, nos chamou a atenção ao entrar no ônibus.
Expôs seus motivos para estar solicitando um auxílio e ao final do discurso se revelou aidético.
Minha amiga, impressionada, retirou uma nota de 5 reais da carteira e guardou a bolsa, novamente. Eu separei algumas moedas de minha niqueleira sem me preocupar com a quantia.
O homem foi passando entre os bancos e recebendo pequenas quantias em niqueis. E agradecia cada importância recebida, mesmo a de valor ínfimo.
Eu estava sentada junto à janela e minha amiga junto ao corredor do ônibus.
Em dado momento, quando percebi, o homem estava ao meu lado esperando a doação e tratei de colocar as moedas em sua mão.
Minha amiga sussurrou :
- Além de moedas o menor valor que tenho é uma nota de 5 reais.
- Mas e as moedas ?
- É que quero evitar o contato com a mão do pedinte.
- Então , mostre que está lhe oferecendo uma nota de 5 reais e peça que a pegue para guardar diretamente no bolso de sua calça.
- Sim, justamente , essa é a ideia.
Enquanto minha amiga fazia essa confidência vi o homem se distanciar para recolher outros donativos. Falei para minha amiga se levantar para dar o dinheiro a ele. Ela dobrou a nota ao meio, no sentido do comprimento, pegou numa ponta e apresentou a outra ponta para o homem recolher e guardar.
O homem abriu seu melhor sorriso e falou :
- Que Deus lhe retribua em dobro !
Minha amiga olhou para o homem, sem acreditar, conteve um gesto agressivo de repulsa, congelou a expressão de contrariedade e espanto. O que se explica porque o homem ficou tão feliz que , inesperadamente, puxou para si a mão de minha amiga e, antes que essa percebesse, a beijou. E exalando uma etérea felicidade ficou repetindo as palavras que ficaram ecoando no ônibus :
- Muito obrigado ! muito obrigado! muitíssimo obrigado !
KATIA CHIAPPINI
e-mail: katia_fachinello42@hotmail.com
sábado, 10 de agosto de 2013
MORALIDADE...
NA MORAL...
Na moral ? a moral agoniza
Sendo torturada a cada dia
Na moral? ninguém a prioriza
É como se não tivesse serventia
Não se dá ouvidos à filosofia
E quem não refletiu sucumbiu
A moral virou mercadoria
Se é que um dia existiu
Vilipêndio e mil tramoias
São aceitas sem contestação
A honestidade virou paranoia
E ao mal se delegou a razão
Foram-se os bons exemplos
Não há paradigmas a seguir
Nem mais hábitos nos templos
Onde bênçãos costumamos pedir
A perseguição é uma sina
Discrimina mais do que se pensa
Está de volta o monstro que elimina
E o povo vive na descrença
Parece que a tecnologia
Anulou o homem- essência
Há inocentes na cela fria
Vítimas da prepotência
Na moral ? pobre'' mãe gentil'
Que abriga uma corja de golpistas
Todos filhos desse imenso Brasil
Onde a justiça se perdeu de vista
Quem vai cuidar de nossos filhos ?
Educar o menino e a menina ?
Melhor voltar a ajoelhar em milhos
Do que aceitar trair por propina
Talvez nem tanto e nem tão pouco
O equilíbrio ainda nos socorre
Cuidado com os malfeitores loucos :
- Ou obedece às ordens ou morre
Amedrontados com as atrocidades
Na corda bamba com o marginal
Vemos a democracia virar saudade
Na moral ? estamos sem moral
KATIA CHIAPPINI
Na moral ? a moral agoniza
Sendo torturada a cada dia
Na moral? ninguém a prioriza
É como se não tivesse serventia
Não se dá ouvidos à filosofia
E quem não refletiu sucumbiu
A moral virou mercadoria
Se é que um dia existiu
Vilipêndio e mil tramoias
São aceitas sem contestação
A honestidade virou paranoia
E ao mal se delegou a razão
Foram-se os bons exemplos
Não há paradigmas a seguir
Nem mais hábitos nos templos
Onde bênçãos costumamos pedir
A perseguição é uma sina
Discrimina mais do que se pensa
Está de volta o monstro que elimina
E o povo vive na descrença
Parece que a tecnologia
Anulou o homem- essência
Há inocentes na cela fria
Vítimas da prepotência
Na moral ? pobre'' mãe gentil'
Que abriga uma corja de golpistas
Todos filhos desse imenso Brasil
Onde a justiça se perdeu de vista
Quem vai cuidar de nossos filhos ?
Educar o menino e a menina ?
Melhor voltar a ajoelhar em milhos
Do que aceitar trair por propina
Talvez nem tanto e nem tão pouco
O equilíbrio ainda nos socorre
Cuidado com os malfeitores loucos :
- Ou obedece às ordens ou morre
Amedrontados com as atrocidades
Na corda bamba com o marginal
Vemos a democracia virar saudade
Na moral ? estamos sem moral
KATIA CHIAPPINI
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
O DINHEIRO COMPRA TUDO ?
O DINHEIRO COMPENSA ?
Conheci uma senhora, D. Clara, que demonstrava uma preocupação pertinente : a de não ter conseguido agradar sua nora Luíza.
E sendo esse seu filho único a situação era delicada.
Caso não conseguisse manter boas relações com a nora temia ver seu filho se afastar da casa paterna e de seu convívio, em especial.
D. Clara,preocupada com o andar dos acontecimentos, imaginou uma maneira de reverter a situação a seu favor. Convidou sua nora para um breve lanche e conversou com ela, por longo tempo,entre uma e outra xícara de chá. Tentou transformar a tarde, de modo que se tornasse uma oportunidade propícia para deixar a nora à vontade e conversar sobre temas que a ela agradassem. E a moça foi se sentindo prestigiada e até reclamou do marido, do casamento, e D. Clara não contestou nada, apenas se tornou uma atenta e paciente ouvinte.
Antes que se despedissem, D. Clara presenteou sua nora com um envelope contendo certa importância em dinheiro. A surpresa foi tamanha que Luíza deu um abraço nervoso e repentino em D. Clara agradecendo com um sorriso a quantia recebida.
Passou a tratar a sogra de outra maneira e recebia dela outros mimos e novos convites para tomar o chá da tarde.
Dessa forma, as relações entre ela, o filho e a nora se estabilizaram.
Mesmo sabendo que o interesse era visível, D. Clara sentiu-se recompensada pela presença do filho em sua casa e não temia mais que a nora pudesse, algum dia, colocá-lo contra ela.
Conheci outra senhora, D. Ana, que ficou durante o período de oito anos, viúva, morando com seus empregados que se revesavam dia e noite para que ela não ficasse só. Com eles fazia suas compras, pagava suas contas, ia ao cinema , frequentava restaurantes e os levava para passar uma temporada na praia.
Tinha seus filhos e netos aos quais não dava atenção. Era,sim, uma boa patroa e gratificava seus empregados.
Um certo dia conheceu um senhor que parecia querer cortejá-la e passaram a almoçar no mesmo restaurante, alguns dias da semana.
As relações de amizade se tornaram mais estreitas e esse senhor a convidou para morar com a família dele prometendo cuidar dela e de todas as suas necessidades. Sugeriu que indenizasse os empregados devidamente, vendesse a casa e se desfizesse de seus móveis e utensílios.
D. Ana assim o fez, sem pestanejar.
Passou a morar com as duas irmãs desse senhor. Mas esse amigo protetor alugou um apartamento e passou a morar perto mas sozinho. As moças atendiam D.Ana e faziam as tarefas domésticas de modo a manter a casa asseada, a comida na mesa e a roupa dessa senhora lavada e passada. E esse admirador do dinheiro dessa senhora mais do que dela própria, passou realmente, justiça seja feita, a cuidar da mesma e proporcionar-lhe algum lazer para mantê-la feliz no novo ambiente.
Tomei conhecimento disso por uma pessoa amiga e telefonei para o celular de D. Ana e, para minha surpresa, ela se mostrou satisfeita com a nova realidade. Soube que se mudara de cidade para se sentir menos invadida pelos vizinhos que poderiam fazer comentários maldosos a seu respeito. Isso porque o seu ''admirador'' era 20 anos mais jovem que ela. Ninguém sabia que sua intimidade e seu leito haviam sido preservados e que jamais coabitaria com esse senhor.
Pelo que me foi dito percebi que a união era de fachada e que havia uma espécie de contrato entre as partes.
Nesses dois episódios aqui relatados é triste descobrir a ausência de um sentimento fundamental para o ser humano: a amizade sincera e que se alimenta da lealdade incondicional.
Em ambas as situações foi o dinheiro o condutor responsável pela resolução dos problemas.
No primeiro relato, soube-se que D. Clara viveu em paz com sua nora mas jamais a sentiu uma pessoa confiável.
No segundo relato,D.Ana abdicou de parte de seus bens e pareceu se submeter a uma vida que não era a sua e da própria liberdade.
O incrível e inesperado é que acompanho essa situação, que já dura quatro anos, sem nenhuma queixa por parte de D. Ana.
Sei que recebe uma pensão do ex- marido que reserva para seus gastos essenciais.
Mas fico a lamentar a prevalência do dinheiro em detrimento dos valores essenciais e sei que ,mais dia menos dia, D. Ana vai se deparar com as consequências de uma lacuna afetiva que o dinheiro não preenche. Em verdade, deixou de conviver com as antigas amigas que se encontravam na missa de domingo, no galeto do salão paroquial, nos eventos sociais : casamentos, formaturas, nascimentos e aniversários.
E fica em meu pensamento uma impressão estranha de instabilidade, como se a qualquer momento o fiel da balança pudesse pender para o lado errado.
E não canso de indagar a mim mesma:
- Será que essa felicidade que o dinheiro sustenta pode se tornar duradoura ?
- Será que esse não é um investimento na pseudo-felicidade ?
- Ou a solidão implacável está a justificar esse procedimento de uma senhora de 80 anos por ser , ainda, a despeito de tudo, o pior dos males ?
Oh! Sócrates, Oh! Platão, Oh! Aristóteles : SOCORRO !
KATIA CHIAPPINI
EMAIL: katia_fachinello42@hotmail.com
Conheci uma senhora, D. Clara, que demonstrava uma preocupação pertinente : a de não ter conseguido agradar sua nora Luíza.
E sendo esse seu filho único a situação era delicada.
Caso não conseguisse manter boas relações com a nora temia ver seu filho se afastar da casa paterna e de seu convívio, em especial.
D. Clara,preocupada com o andar dos acontecimentos, imaginou uma maneira de reverter a situação a seu favor. Convidou sua nora para um breve lanche e conversou com ela, por longo tempo,entre uma e outra xícara de chá. Tentou transformar a tarde, de modo que se tornasse uma oportunidade propícia para deixar a nora à vontade e conversar sobre temas que a ela agradassem. E a moça foi se sentindo prestigiada e até reclamou do marido, do casamento, e D. Clara não contestou nada, apenas se tornou uma atenta e paciente ouvinte.
Antes que se despedissem, D. Clara presenteou sua nora com um envelope contendo certa importância em dinheiro. A surpresa foi tamanha que Luíza deu um abraço nervoso e repentino em D. Clara agradecendo com um sorriso a quantia recebida.
Passou a tratar a sogra de outra maneira e recebia dela outros mimos e novos convites para tomar o chá da tarde.
Dessa forma, as relações entre ela, o filho e a nora se estabilizaram.
Mesmo sabendo que o interesse era visível, D. Clara sentiu-se recompensada pela presença do filho em sua casa e não temia mais que a nora pudesse, algum dia, colocá-lo contra ela.
Conheci outra senhora, D. Ana, que ficou durante o período de oito anos, viúva, morando com seus empregados que se revesavam dia e noite para que ela não ficasse só. Com eles fazia suas compras, pagava suas contas, ia ao cinema , frequentava restaurantes e os levava para passar uma temporada na praia.
Tinha seus filhos e netos aos quais não dava atenção. Era,sim, uma boa patroa e gratificava seus empregados.
Um certo dia conheceu um senhor que parecia querer cortejá-la e passaram a almoçar no mesmo restaurante, alguns dias da semana.
As relações de amizade se tornaram mais estreitas e esse senhor a convidou para morar com a família dele prometendo cuidar dela e de todas as suas necessidades. Sugeriu que indenizasse os empregados devidamente, vendesse a casa e se desfizesse de seus móveis e utensílios.
D. Ana assim o fez, sem pestanejar.
Passou a morar com as duas irmãs desse senhor. Mas esse amigo protetor alugou um apartamento e passou a morar perto mas sozinho. As moças atendiam D.Ana e faziam as tarefas domésticas de modo a manter a casa asseada, a comida na mesa e a roupa dessa senhora lavada e passada. E esse admirador do dinheiro dessa senhora mais do que dela própria, passou realmente, justiça seja feita, a cuidar da mesma e proporcionar-lhe algum lazer para mantê-la feliz no novo ambiente.
Tomei conhecimento disso por uma pessoa amiga e telefonei para o celular de D. Ana e, para minha surpresa, ela se mostrou satisfeita com a nova realidade. Soube que se mudara de cidade para se sentir menos invadida pelos vizinhos que poderiam fazer comentários maldosos a seu respeito. Isso porque o seu ''admirador'' era 20 anos mais jovem que ela. Ninguém sabia que sua intimidade e seu leito haviam sido preservados e que jamais coabitaria com esse senhor.
Pelo que me foi dito percebi que a união era de fachada e que havia uma espécie de contrato entre as partes.
Nesses dois episódios aqui relatados é triste descobrir a ausência de um sentimento fundamental para o ser humano: a amizade sincera e que se alimenta da lealdade incondicional.
Em ambas as situações foi o dinheiro o condutor responsável pela resolução dos problemas.
No primeiro relato, soube-se que D. Clara viveu em paz com sua nora mas jamais a sentiu uma pessoa confiável.
No segundo relato,D.Ana abdicou de parte de seus bens e pareceu se submeter a uma vida que não era a sua e da própria liberdade.
O incrível e inesperado é que acompanho essa situação, que já dura quatro anos, sem nenhuma queixa por parte de D. Ana.
Sei que recebe uma pensão do ex- marido que reserva para seus gastos essenciais.
Mas fico a lamentar a prevalência do dinheiro em detrimento dos valores essenciais e sei que ,mais dia menos dia, D. Ana vai se deparar com as consequências de uma lacuna afetiva que o dinheiro não preenche. Em verdade, deixou de conviver com as antigas amigas que se encontravam na missa de domingo, no galeto do salão paroquial, nos eventos sociais : casamentos, formaturas, nascimentos e aniversários.
E fica em meu pensamento uma impressão estranha de instabilidade, como se a qualquer momento o fiel da balança pudesse pender para o lado errado.
E não canso de indagar a mim mesma:
- Será que essa felicidade que o dinheiro sustenta pode se tornar duradoura ?
- Será que esse não é um investimento na pseudo-felicidade ?
- Ou a solidão implacável está a justificar esse procedimento de uma senhora de 80 anos por ser , ainda, a despeito de tudo, o pior dos males ?
Oh! Sócrates, Oh! Platão, Oh! Aristóteles : SOCORRO !
KATIA CHIAPPINI
EMAIL: katia_fachinello42@hotmail.com
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
DEPOIMENTO !
UM DEPOIMENTO INSTIGANTE
- Namorei uma menina quando eu tinha 21 anos de idade onde os primeiros amores se vinculam às primeiras ilusões.
- Continue, sim ?
- Fui responsável pela imensa tristeza que percebi em seu olhar e que tomou conta de mim
- O que aconteceu ?
- Eu a traí e contei a ela esse deslize
- E concluiu o que ?
-Ao perceber aquela tristeza no lindo rosto e as lágrimas incontidas jurei a mim mesmo nunca mais testemunhar essa cena.
- Então está me dizendo que esse fato repercutiu em sua vida?
- Sim, tanto que não fui infiel nos outros relacionamentos que tive
Enquanto Ricardo teclava percebi a veracidade de suas palavras pois poderia ter escolhido muitos outros assuntos para discorrer, naquela noite.
Com certeza lembrou do sorriso sumindo do rosto da menina, do corpo se encolhendo, das mãos se movimentando inquietas, dos passos cambaleantes, do amor se esfacelando, do suor frio se infiltrando na pele e das lágrimas teimosas jorrando e entristecendo o rostinho lindo que já merecera tantos beijos apaixonados.
Tentou abraçar a menina mas ela o repeliu e nunca mais atendeu aos seus telefonemas e mensagens.
Procurou-a, sem êxito, por longo tempo. E o fato de não ter tido a chance de se desculpar, o deixou abalado e contrariado.
Um caso mal resolvido tem o poder de tatuar nossa alma e a lembrança vai e volta, tantas vezes quantas o coração solicitar.
Ricardo, esse amigo, viveu outro relacionamento pelo período de 12 anos e , em momento algum, traiu a confiança da companheira.
Houve a separação, sim, mas a decisão foi consciente, de comum acordo.
Penso que gente de boa formação e de bons princípios adquiridos no seio do lar deveria agir sempre com sinceridade.
Se assim fosse feito restaria, ainda, o ombro amigo e a disponibilidade para auxiliar o outro nos momentos de dificuldade.
Mas não é fácil agir sem atalhos e artimanhas. Ainda se desrespeita o parceiro sem grandes crises de consciência como se normal fosse.
Sabemos que a carência leva o ser humano a enganar e manter uma vida dupla que vai estacionar numa rua estreita ou num beco sem saída.
O ser humano não quer perder o que chama de vantagem: manter a mulher que o espera todos os dias com as refeições prontas e a roupa passada e , ao mesmo tempo, a amante, que por sua vez vive à sombra, cheia de restrições.
E as aventuras passageiras parecem liberar a adrenalina, a endorfina, como o prazer da conquista.
Mas quando passa a tempestade da alma, quando a razão se faz ouvir, já não somos mais os mesmos : as sequelas se multiplicam.
Libertamos a libido para absorver uma pseudo superioridade, em estado latente, que inflama o Ego, mas que acaba por torná-lo inseguro, sem dirimir a própria culpa e os transtornos que isso acarreta para uma vida plena.
Talvez com esse desabafo Ricardo tenha se aproximado mais de si mesmo e da promessa de não praticar nenhuma traição amorosa.
Esse depoimento me impressionou porque, nos dias de hoje, onde as pessoas se tornaram descartáveis, ainda há quem queira mostrar sua transparência e sinceridade, a quem diz amar.
Hoje, aos 42 anos, mantém esse comportamento confiável. Mas sabe que não pode comentar isso com seus amigos sem que seja vítima de risos abafados, de palavras cheias de sarcasmo.
Homens casados se vangloriam , a todo momento, de sua masculinidade e do número de parceiras que constam em suas agendas pessoais. E justificam suas conquistas etéreas com a seguinte frase:
- Isso nada representa para mim.
- Quem acreditaria em Ricardo, dentro do atual contexto ?
Parece que os casais se contentam em brincar de amor, em não se prender às responsabilidades, em viver o momento sem se preocupar com a provável solidão, num futuro próximo.
Não raro encontramos um grupo de homens sentados na mesa de um bar, onde os risos fétidos exalam cachaça e as caras vermelhas denunciam que estão embriagados.
E se chegarmos mais perto ouviremos comentários levianos a respeito s das mulheres com as quais coabitam e talvez elogios às amantes.
E as juras de amor já perderam seu sentido e são ditas, por dizer, como um verso decorado que se deve declamar para cumprir uma formalidade, mesmo porque nem o entendemos em seu real sentido.
E ser fiel se tornou a piada mais hilariante desse século.
- Você também achou graça ?
KATIA CHIAPPINI
Email:katia_fachinello42@hotmail.com
DEPOIMENTOS SÃO ATOS DE CORAGEM !
KATIA
- Namorei uma menina quando eu tinha 21 anos de idade onde os primeiros amores se vinculam às primeiras ilusões.
- Continue, sim ?
- Fui responsável pela imensa tristeza que percebi em seu olhar e que tomou conta de mim
- O que aconteceu ?
- Eu a traí e contei a ela esse deslize
- E concluiu o que ?
-Ao perceber aquela tristeza no lindo rosto e as lágrimas incontidas jurei a mim mesmo nunca mais testemunhar essa cena.
- Então está me dizendo que esse fato repercutiu em sua vida?
- Sim, tanto que não fui infiel nos outros relacionamentos que tive
Enquanto Ricardo teclava percebi a veracidade de suas palavras pois poderia ter escolhido muitos outros assuntos para discorrer, naquela noite.
Com certeza lembrou do sorriso sumindo do rosto da menina, do corpo se encolhendo, das mãos se movimentando inquietas, dos passos cambaleantes, do amor se esfacelando, do suor frio se infiltrando na pele e das lágrimas teimosas jorrando e entristecendo o rostinho lindo que já merecera tantos beijos apaixonados.
Tentou abraçar a menina mas ela o repeliu e nunca mais atendeu aos seus telefonemas e mensagens.
Procurou-a, sem êxito, por longo tempo. E o fato de não ter tido a chance de se desculpar, o deixou abalado e contrariado.
Um caso mal resolvido tem o poder de tatuar nossa alma e a lembrança vai e volta, tantas vezes quantas o coração solicitar.
Ricardo, esse amigo, viveu outro relacionamento pelo período de 12 anos e , em momento algum, traiu a confiança da companheira.
Houve a separação, sim, mas a decisão foi consciente, de comum acordo.
Penso que gente de boa formação e de bons princípios adquiridos no seio do lar deveria agir sempre com sinceridade.
Se assim fosse feito restaria, ainda, o ombro amigo e a disponibilidade para auxiliar o outro nos momentos de dificuldade.
Mas não é fácil agir sem atalhos e artimanhas. Ainda se desrespeita o parceiro sem grandes crises de consciência como se normal fosse.
Sabemos que a carência leva o ser humano a enganar e manter uma vida dupla que vai estacionar numa rua estreita ou num beco sem saída.
O ser humano não quer perder o que chama de vantagem: manter a mulher que o espera todos os dias com as refeições prontas e a roupa passada e , ao mesmo tempo, a amante, que por sua vez vive à sombra, cheia de restrições.
E as aventuras passageiras parecem liberar a adrenalina, a endorfina, como o prazer da conquista.
Mas quando passa a tempestade da alma, quando a razão se faz ouvir, já não somos mais os mesmos : as sequelas se multiplicam.
Libertamos a libido para absorver uma pseudo superioridade, em estado latente, que inflama o Ego, mas que acaba por torná-lo inseguro, sem dirimir a própria culpa e os transtornos que isso acarreta para uma vida plena.
Talvez com esse desabafo Ricardo tenha se aproximado mais de si mesmo e da promessa de não praticar nenhuma traição amorosa.
Esse depoimento me impressionou porque, nos dias de hoje, onde as pessoas se tornaram descartáveis, ainda há quem queira mostrar sua transparência e sinceridade, a quem diz amar.
Hoje, aos 42 anos, mantém esse comportamento confiável. Mas sabe que não pode comentar isso com seus amigos sem que seja vítima de risos abafados, de palavras cheias de sarcasmo.
Homens casados se vangloriam , a todo momento, de sua masculinidade e do número de parceiras que constam em suas agendas pessoais. E justificam suas conquistas etéreas com a seguinte frase:
- Isso nada representa para mim.
- Quem acreditaria em Ricardo, dentro do atual contexto ?
Parece que os casais se contentam em brincar de amor, em não se prender às responsabilidades, em viver o momento sem se preocupar com a provável solidão, num futuro próximo.
Não raro encontramos um grupo de homens sentados na mesa de um bar, onde os risos fétidos exalam cachaça e as caras vermelhas denunciam que estão embriagados.
E se chegarmos mais perto ouviremos comentários levianos a respeito s das mulheres com as quais coabitam e talvez elogios às amantes.
E as juras de amor já perderam seu sentido e são ditas, por dizer, como um verso decorado que se deve declamar para cumprir uma formalidade, mesmo porque nem o entendemos em seu real sentido.
E ser fiel se tornou a piada mais hilariante desse século.
- Você também achou graça ?
KATIA CHIAPPINI
Email:katia_fachinello42@hotmail.com
KATIA
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
UM GAÚCHO DE VALOR !
O CAPATAZ
O capataz é soberano
Transmite ordens aos peões
Trabalha mano a mano
Como o melhor dos centuriões
Comanda toda lida do campo
É braço direito na estância
Não há gripe ou sarampo
Que lhe afaste da andança
Nas manhãs vai ao escritório
Prestar contas ao patrão
Cita problemas no relatório
Que são de difícil solução
A lida do campo é corrida
Potreiros são vistoriados
A vaca prenha é assistida
Todos os animais medicados
A árvore se espalha na sanga
O capataz na sombra descansa
No calor arregaça a manga
Se apruma e refaz sua andança
Há banho e marcação de gado
Para o consumo - abate da ovelha -
Não dá pra cantar um fado
É preciso substituir a telha
O capataz permanece atento
Ao filho do estancieiro
Que cavalga milhas ao relento
Sem temer qualquer entrevero
Pela fazenda dá sua vida
Tem o estímulo do patrão
Que lhe dá terra e guarida
E a casa própria em construção
À tardinha coloca um tamanco
Sorve o mate,conta o ''causo'' recente
Acende a fogueira e puxa o banco
Sorri para a estrela cadente
Não deixa o pampa- enraíza -
Anda pilchado como convém
O estudo do filho prioriza
Mas da estância é eterno refém
KATIA CHIAPPINI
Estou lembrando do capataz de meu tio, na distante Santana do Livramento, que era considerado e respeitado em sua lida.
Meu tio, a título de recompensa pela dedicação de quase 40 anos, tinha por hábito, ao final do ano, acrescentar mais terreno ou gado aos bens do capataz e sua família.
Esse capataz atendia aos filhos, netos e sobrinhos de meu tio, nas férias escolares, as melhores que se poderia ter.
Eu era a sobrinha mais velha e responsável pela organização da criançada em todas as suas atividades.
E só depois que eu chegava na estância, meus tios podiam tirar um cochilo tranquilo e sem interrupções.
KATIA
O capataz é soberano
Transmite ordens aos peões
Trabalha mano a mano
Como o melhor dos centuriões
Comanda toda lida do campo
É braço direito na estância
Não há gripe ou sarampo
Que lhe afaste da andança
Nas manhãs vai ao escritório
Prestar contas ao patrão
Cita problemas no relatório
Que são de difícil solução
A lida do campo é corrida
Potreiros são vistoriados
A vaca prenha é assistida
Todos os animais medicados
A árvore se espalha na sanga
O capataz na sombra descansa
No calor arregaça a manga
Se apruma e refaz sua andança
Há banho e marcação de gado
Para o consumo - abate da ovelha -
Não dá pra cantar um fado
É preciso substituir a telha
O capataz permanece atento
Ao filho do estancieiro
Que cavalga milhas ao relento
Sem temer qualquer entrevero
Pela fazenda dá sua vida
Tem o estímulo do patrão
Que lhe dá terra e guarida
E a casa própria em construção
À tardinha coloca um tamanco
Sorve o mate,conta o ''causo'' recente
Acende a fogueira e puxa o banco
Sorri para a estrela cadente
Não deixa o pampa- enraíza -
Anda pilchado como convém
O estudo do filho prioriza
Mas da estância é eterno refém
KATIA CHIAPPINI
Estou lembrando do capataz de meu tio, na distante Santana do Livramento, que era considerado e respeitado em sua lida.
Meu tio, a título de recompensa pela dedicação de quase 40 anos, tinha por hábito, ao final do ano, acrescentar mais terreno ou gado aos bens do capataz e sua família.
Esse capataz atendia aos filhos, netos e sobrinhos de meu tio, nas férias escolares, as melhores que se poderia ter.
Eu era a sobrinha mais velha e responsável pela organização da criançada em todas as suas atividades.
E só depois que eu chegava na estância, meus tios podiam tirar um cochilo tranquilo e sem interrupções.
KATIA
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
SEI ESPERAR !
AINDA ESPERO POR TI...
Espero o frêmito de tua presença
Olhos nos olhos com ternura
A troca de nossas essências
Aquele abraço que cura
Percebo que queima o amor
Nem o raio do sol queima tanto
São chamas de paz e de dor
São gotas de prazer e pranto
Quero da pele o especial sabor
Dos lábios selvagens o beijo
Do alto do monte uma flor
E da paixão o lampejo
O rio corre para o mar
Os frutos vingam na terra
A terra gira sem parar
Há amor na paz e na guerra
Me conduziste pelo caminho
Apertei forte a tua mão
Descobri-me nua em teu ninho
Fui teu inverno e verão
Ainda espero amar na rede
Sentir as tuas mãos inquietas
Sentir que me pões contra a parede
Para cumprir as tuas metas
Teu corpo é âncora serena
Me chama , se joga e vem
Sou madura mulher pequena
Meu corpo espera ir além
Ainda quero , nem sei bem
Vivo na confusão do abismo
Na inconstância de quem tem
Ora certeza, ora ceticismo
Ainda espero pelo lindo momento
Para recordar na etapa final
Uma visão do firmamento
Quando acoplados na entrega total
Ainda espero viver e reviver
A paz de um descanso sem beijo
Não vou negar o meu querer
Nem o insaciável desejo
KATIA CHIAPPINI
e-mail: katia_fachinello42 @hotmail.com
Espero o frêmito de tua presença
Olhos nos olhos com ternura
A troca de nossas essências
Aquele abraço que cura
Percebo que queima o amor
Nem o raio do sol queima tanto
São chamas de paz e de dor
São gotas de prazer e pranto
Quero da pele o especial sabor
Dos lábios selvagens o beijo
Do alto do monte uma flor
E da paixão o lampejo
O rio corre para o mar
Os frutos vingam na terra
A terra gira sem parar
Há amor na paz e na guerra
Me conduziste pelo caminho
Apertei forte a tua mão
Descobri-me nua em teu ninho
Fui teu inverno e verão
Ainda espero amar na rede
Sentir as tuas mãos inquietas
Sentir que me pões contra a parede
Para cumprir as tuas metas
Teu corpo é âncora serena
Me chama , se joga e vem
Sou madura mulher pequena
Meu corpo espera ir além
Ainda quero , nem sei bem
Vivo na confusão do abismo
Na inconstância de quem tem
Ora certeza, ora ceticismo
Ainda espero pelo lindo momento
Para recordar na etapa final
Uma visão do firmamento
Quando acoplados na entrega total
Ainda espero viver e reviver
A paz de um descanso sem beijo
Não vou negar o meu querer
Nem o insaciável desejo
KATIA CHIAPPINI
e-mail: katia_fachinello42 @hotmail.com
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