Aquarela de poesias

Aquarela de poesias
Poesias para você

domingo, 7 de junho de 2015

Profumo di donna

DOMINGO DE CHUVA !

      DOMINGO DE CHUVA E A MÚSICA!

Percebi uma conexão ímpar, ao dedilhar o piano, num domingo chuvoso. A chuva era constante, miúda, mas seus pingos soavam em minha janela, intercalados ao som das teclas. E ambos soavam e encantavam o ambiente. A sala ficou pequena e impregnada de pingos de chuva, lá fora, mas audíveis, dentro, em contraponto com a s melodias que se seguiam.
E quando a música penetra o seu ser, tem o dom de transfigurar e transportar a mundos fantásticos de vibrações próprias e tão sensíveis que nada mais se faz necessário no momento.
A chuva rega e alimenta a terra ,fixa a semente no solo, ampara as plantações e se faz necessária à natureza, de modo absoluto.
A música alimenta a alma ,clareia o espírito, leva à contemplação da pura beleza que o som provoca e se expande aos mais belos sonhos que possamos ter. Relembra amores, suores, calores, fantasias e alegorias fantásticas e noites de uma tranquilidade intranquila.
Declamar uma poesia sem um fundo musical dá uma sensação agradável. Mas declamar a mesma poesia com uma música emoldurando a palavra, é como estar dentro do poema, com real encantamento e  deixando brotar todo o sentimento.
Nas cenas de terror, ou de amor, que vemos nos filmes, podemos perceber o valor da música inserida no ambiente. E toda a força dramática que provoca.
Mas, ao piano, ao entardecer, quando me dedico ao toque de melodias  mil, sinto como se saísse de meu ser qualquer interferência negativa. Ao levantar da banqueta do piano ,é impressionante o modo de sentir a vida. Tudo se modifica na alma e sinto que novas forças me levam a seguir em frente. É uma terapia natural que Deus deu ,como um dom maior, aos sensíveis de alma, para que possam compartilhar com seus semelhantes e dar a eles essa possibilidade de elevar o espírito, meditar e contemplar a vida com um novo olhar. 
Se você estiver com enxaqueca, ou sentir um cansaço após voltar do trabalho, tente deitar, apagar a luz e colocar uma roupa leve. Depois, com um simples toque, acione o seu som, escolha as músicas que selecionou e feche os olhos. Faça um exercício mental e imagine uma viagem por mares, montanhas, céus, cachoeiras e alamedas floridas, cujas árvores lhe estendem seus braços e convidam para escalar seus galhos. Pode imaginar que chegou ao topo da montanha para gritar: eu te amo. A música vai tomando conta de seu ser, as fantasias vão brotando, nítidas, como se fossem verdadeiras. O espírito vai entrando em alfa e o seu ser quase entra em transe, semelhante a um outro sentimento que temos em relacionamentos íntimos. Só que estamos elevando o espírito.
E a dor de cabeça, se ainda persistir, mais um pouco, no mínimo, estará melhor, porque seu mundo se transportou para um outro plano, mais profundo. E no núcleo desse plano está nossa essência, nossa centelha divina e nossa alma mais fortalecida. 
Ao abrir os olhos, antes de acender a luz, pense num mantra simples e o repita algumas vezes. Ele vai impregnar seu mundo interior e buscar a energia que todos temos, mas que, as vezes, não estimulamos.
E a chuva continuou cantando ao som do piano. E o barulho dos pingos de chuva nos telhados, a natureza embaçada, a janela esfumaçada, só ficavam inaudíveis, quando eu vibrava com mais força o toque das notas, no ápice de uma melodia grandiosa para a alma em transe, como a chuva para a natureza agradecida.

                                    KATIA CHIAPPINI

OBS: percebi que quando estou feliz ou muito triste, nos extremos, mesmo, a inspiração flui sem retoques e cai na alma e deita em meus sonhos e se acomoda num mundo secreto...
Obrigada,grande amigo em preto e branco!




ABRAÇOS!

                           ABRAÇOS

Abraços são laços de ternura
Mas não estão na moda
A vida se tornou loucura
Parece que o abraço incomoda

Abraços sinceros ,onde achar?
Pais e filhos deles esqueceram
Raros são os abraços no lar
Esses gestos já se perderam

Corremos mais que as pernas
A competição é tamanha
Vale mais a aparência externa
A vida se tornou muito estranha

Abraços vem do interior
Sempre de dentro para fora
Mas o ser se julga superior
Nega os carinhos de outrora

A consequência é a solidão
O homem não é feliz
Há revolta em profusão
Filhos negam o que o pai diz

Um abraço seria bem vindo
Para confortar os desamparados
Ele deixa o ser agradecido
Quando esse se vê enlaçado

O abraço é sinal de afeição
Ele vem dos bons sentimentos
Também parte da sedução
Em inesquecíveis momentos

Abraços de amor- nem se fala -
Expressam amores profundos
Nessa hora fugaz tudo se cala
O céu, a terra e o mundo

É o abraço quase perfeito
Num momento conquistado
Esse ainda é o abraço eleito
Não o negue ao bem-amado

                                    KATIA CHIAPPINI


quinta-feira, 4 de junho de 2015

BRAVAS MULHERES!

                      BRAVAS MULHERES

                                    Mulheres desbotadas
                                       Feridas e maltratadas
                                         Como aves aladas
                                            Voam noutra invernada

                                      Refazem sua jornada
                                         Tanto ricas como faveladas
                                              Sofrem em mãos armadas
                                                    Em línguas afiadas

                                 Sem motivo caluniadas
                                     Pouco consideradas
                                         Desafiadas e amordaçadas
                                               Ainda acreditam em fadas

                                  Como sereias ondeadas
                                         Querem enfeitiçar- mais nada-
                                             Porque querem ser amadas
                                                 Como lindas rosas e perfumadas

                                            Mulher é equilibrada
                                                   É  a luz da morada
                                                        Pelos filhos admirada
                                                               Pois é a mãe dedicada

                                               Ela vela a filha adoentada
                                                   Cuida da mãe  acamada
                                                       Desempenha dupla jornada
                                                           É guerreira e abdicada

                                             Que sejam ainda pranteadas
                                                    Ao final de sua estrada
                                                       E não mais aviltadas
                                                             E muito menos julgadas

                                            Que não sejam caluniadas
                                                A ira se torna'' águas passadas''
                                                      Mas a ofensa é flecha marcada
                                                          E a alma sofre calada 

                                      KATIA CHIAPPINI





quarta-feira, 3 de junho de 2015

MINICONTO EM FAMÍLIA

                 MINICONTO EM FAMÍLIA

Estávamos na praia de Torres, mais uma vez, aproveitando as delícias de verão. 
Minha mãe convidou-nos para uma rodada de frutos do mar que só ela sabia preparar com especial capricho. Além do convite feito aos familiares, mamãe convidou um casal amigo que estava passando uma temporada comigo. Mas o homem era mão fechada, coitado, embora tivesse outras qualidades. E uma delas era a de ser um juiz de carreira, em vias de desembargador: ápice da carreira no Tribunal de Justiça.
Um primo querido nos preparou uma caipirinha e o aperitivo passava de boca em boca, para os adultos.
Mamãe daria a janta e cada convidado levaria alguma bebida, conforme o seu gosto.
Tudo transcorreu às mil maravilhas até o juiz se despedir de mamãe, na porta da casa. Ele se retirou mais cedo porque queria descansar em nosso apartamento. Mas ao levantar da mesa levou a garrafa de vinho que tinha trazido.
Minha mãe não conseguiu se segurar e perguntou?
-Vai levar de volta a garrafa, caro doutor?
- Sim, a maioria trouxe refrigerante ou cerveja. E eu só bebo vinho
Mamãe, então, falou;
-Pode deixar a garrafa, doutor. Eu bebo vinho
E diante do olhar inquisidor do juiz, pasmem, ela completou: 
- A menos que o senhor devolva uma parte da quantia de camarão à grega que saboreou com tanto gosto, repetidas vezes.

                                      KATIA CHIAPPINI


terça-feira, 2 de junho de 2015

MÁSCARAS!

                          MÁSCARAS!

Usamos disfarces
Máscaras patéticas
Vivemos um impasse
O da alma esquelética

Sepultamos o canto
Corremos contra nós
Caímos em pranto
Ficamos sem voz

Seguimos um trilho
Aceitamos o ópio
Como submissos filhos
E sem amor próprio

Distorcem nossas palavras
Não mais reagimos
Nada de bom se lavra
Nem sei se existimos

Andamos em desordem
Sem identidade
Monitorar é a ordem
Invadir a privacidade

As máscaras revelam
Diversidade de caras
As víboras apelam
Difundem-se as taras

O caos destrói o ego
E o caos está no poder
Quem não se fingir de cego
Não irá sobreviver

                                   KATIA CHIAPPINI


segunda-feira, 1 de junho de 2015

QUEM SOMOS?

                          QUEM SOMOS?

Somos vós e eles
Mas não somos nós
Somos um: eu e tu
Quando estamos sós

Somos meros escravos
Um roteiro inacabado
Não somos rosas ou cravos
Somos um ser desbotado

Não tiramos o véu
Não somos nós mesmos
Afundamos o chapéu
Vivemos tristes - à esmo -

Não somos eu na essência
Mascaramos sentimentos
Evitamos a convivência
Somos o vazio ao vento

O virtual nos invade
 É vício como outros são
Em nome da privacidade
Só justificam a solidão

Se eu pudesse ser eu
Diria que amo demais
Mas não falo nem a Deus
Nem publico nos jornais

Como medida de proteção
A máscara não tiramos
Como prêmio de consolação
Com sonhos nos contentamos

Desvendar nossos mistérios
É arriscar ser rotulado
Vivemos no monastério
Temendo agir errado

Quem sabe o dia há de vir
De desvendar esses anseios
E se a timidez, então, partir
Esqueceremos os rodeios

Pois nada foi revelado
A veste ainda não caiu
O amor não foi empossado
Um o outro nem viu

                                        KATIA CHIAPPINI