Aquarela de poesias

Aquarela de poesias
Poesias para você

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

COLETÂNEAS

                            COLETÂNEAS

Coletâneas são obras publicadas em sistema de cooperativismo. Reúnem grupos de poetas na mesma obra .Cada um deles escreve o seu texto e a união de todo esse trabalho é organizado em forma de livro comunitário. É uma maneira de agregar pessoas interessadas em divulgar seus textos e que de outra forma não poderiam fazê-lo.
As coletâneas possibilitam ingressar no mundo das letras lapidadas.
Elas representam o início de uma jornada em direção ao livro solo.
O grupo se dá a conhecer e conhece outros grupos de poetas. O campo vai se ampliando através da participação em outras coletâneas. Trata-se de um congraçamento sócio-cultural.
As editoras se encarregam de recolher o material, combinar a diagramação, capa, revisão e demais fases do processo de criação da obra. Há muito trabalho envolvido e muitas pessoas trabalhando para chegar ao momento da edição, divulgação, publicação e lançamento. Outro grupo se encarrega de fazer contato com as livrarias para que se envolvam na divulgação para o grande público. Um livro colocado em lugar de destaque, nas prateleiras, é uma grande possibilidade. O trabalho é minucioso e exige paciência e determinação.
A capa do livro deve ser feita com material de boa qualidade e a ilustração precisa acompanhar o título do livro, precisa falar por si só.
A cada autor é atribuído um valor a pagar de acordo com a tiragem solicitada. Se a edição se esgotar, segue-se a segunda edição. 
Esse é um trabalho de formiguinha: o de bater, quase que de porta em porta, para oferecer o livro. Há autores que aproveitam a feira do livro da capital e de algumas cidades do interior de seu Estado.
Vender exige criatividade e atividade programada.
As coletâneas de autores novos enfrentam a concorrência acirrada por um lugar ao sol. E ainda estamos longe de conseguir a valorização do escritor e o incentivo financeiro.
Existem grupos de escritores independentes que não se filiam às editoras e editam os seus próprios livros. Mas precisam conseguir uma banca na feira do livro que os aceite. É todo um trabalho que ainda não se alinhavou e que é esquecido pelas políticas públicas.
Quem pertence a uma coletânea sabe que o faz por ideal, por um especial talento que vem de Deus. E sabe que precisa escrever para desabafar, para se sentir gente, para respirar inspiração e transpirar junto às gotas de suor a liquidez das rimas poéticas que se transformam em necessidade vital. Empobrecidos de sentimentos, os homens se penduram, como tábua de salvação, aos livros de poesia em busca de ternura, leveza, espiritualidade. Criam o interlúdio e se deitam na rede de suas varandas ou nas redes sociais para, simplesmente, ler. E na leitura reencontram seu eu essencial, seu lazer, sua criança interna que pede um sorriso e um novo olhar para a vida. E, na leitura buscam a energia motivadora da vida e a tranquilidade interior.  
Merecem nossos agradecimentos toda a equipe responsável pela edição das coletâneas que cumpre o seu papel cultural e o de socializar os grupos de poetas.
A inspiração não pode ser contida porque jorra como a cachoeira, não pode ser represada porque precisa se expandir de rio em mar: um mar de rimas que se dispõem em versos que se elevam ao universo dos sentimentos que a própria razão desconhece.
E quando estiver triste multiplique o número de poemas até sentir que as rimas lhe devolveram a tranquilidade perdida.
Aquela tranquilidade que foge quando os amores se distanciam e levam o poeta a fazer serenatas e versos para desabafar a dor e curar os males da alma.

                                       KATIA CHIAPPINI 

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

A BARATA NO VESTIÁRIO DA LOJA

              SUA MAJESTADE: A BARATA

Em certa ocasião fui às compras com minha filha Tati, na praia de Torres, na temporada de mais um verão deslumbrante.
Entramos numa loja, no centro, percebemos a aparência cuidadosa e a organização impecável das prateleiras.
Mas, ao se dirigir ao vestiário, minha filha avistou uma barata que vinha em sua direção. Ela saiu correndo e foi parar na esquina da quadra onde estávamos,em plena calçada. Resulta que desde bem pequena sempre teve pavor de ver uma barata correndo. E quando isso acontecia ela começava a gritar bem mais do que deveria. E cresceu sem perder esse hábito, como se tivesse uma visão do fim do mundo.
Ao ouvir a gritaria a atendente da loja perguntou-me:
-O que houve com sua filha?
Eu respondi:
- Ela viu uma barata no vestiário.
A atendente ficou sem jeito e se desculpou pelo ocorrido.
Mas, a essa altura, precisei sair da loja para ver se a filha ainda estava na esquina. Ela me viu logo e fez sinal para que eu fosse ao seu encontro.
Falei com a vendedora e expliquei que minha filha ia desistir da compra.
Ela ainda tentou argumentar: 
- Mas senhora, a loja recebeu mercadoria nova e temos toda a linha de verão em maiôs, duas peças, saídas de banho rendadas.
E eu, nervosa para encontrar minha filha e meio desligada disse:
- Mas moça, minha filha e eu não costumamos fazer compras em lojas que têm baratas. 
Não preciso dizer que a vendedora me fulminou com o olhar e ficou paralisada, sem poder me responder.
Retirei-me ,rapidamente ,indo ao encontro da filha. Essa estava indignada. Mas comecei a rir, ela se desarmou e tratamos de ir à praia nos beneficiar com o sol, a brisa e o mar. 
E mesmo, estávamos na mais bela praia do Rio Grande do Sul: a praia de Torres.

                                       KATIA CHIAPPINI


terça-feira, 10 de novembro de 2015

Souvenir em Madrid-Compartilho essa música espanhola com meus leitores do blog.Procure o seu par de castanholas, o vestido vermelho de babados e dance ao som de Souvenir em Madrid

O MUNDO DAS RUAS

                      O MUNDO DAS RUAS

Existe um outro mundo triste e desumano: o das ruas. Nos degraus de uma igreja, sob viadutos e pontes, na frente dos prédios, existem pessoas que fazem das ruas a sua morada.
Na cidade do Rio de Janeiro há 30.000 pessoas nas ruas, entre crianças e adolescentes. As meninas grávidas criam seus filhos, com o auxílio dos transeuntes, que, ao longo do dia, levam gêneros alimentícios ao local. Outras mães adolescentes e grávidas, pedem aos avós que se encarreguem de cuidar dessas crianças. Ou doam seus filhos para instituições de caridade. 
Infelizmente a fuga do lar tem uma explicação plausível. Ela é mera  consequência de lares desestruturados, onde a violência se une aos abusos sexuais, praticados por padrinhos ,padrastos,  e afins. E quando se trata do padrasto, a menina fica com medo de falar para a mãe e ainda ser acusada de ter provocado essa situação.
Mas, se falar, a mãe se recusa a dar ouvidos à filha, pois, em última análise, depende financeiramente do companheiro e se vê acuada e sem coragem de agir como deveria.
O serviço social da prefeitura procura recolher os moradores de rua.
Mas esses não aceitam se submeter ao regulamento que estabelece horário para entrar e sair, não permite o uso de drogas, exige o banho diário.
Outra providência que se faz necessária é descobrir o paradeiro das famílias e reverter essa situação. Mas nem sempre se encontra algum familiar. E,outras vezes, não querem receber de volta esse familiar desgarrado.
Quem se recusa a ir para o abrigo é porque  já está indolente, sem esperanças, sem vontade de reagir e em plena inanição. É aquele que recebe um prato de comida e pergunta:
- Por que você não me dá um cigarro?
Tudo isso dá pena porque nosso país tem uma natureza exuberante e pródiga, um terreno fértil que ''em se plantando tudo dá''como diziam os descobridores da terra.
Mas o que temos é uma quantidade de centros de favelados vivendo das drogas e matando em nome da defesa dos pontos de tráfico.
Um casal que mora nas ruas da cidade do Rio de Janeiros, está junto. E isso já ultrapassou o período de 8 anos.Os filhos do casal já em número de 7, são criados pela mãe da jovem.
Essa adolescente foi entrevistada por uma jornalista da Bélgica, pesquisadora e professora universitária. Ela perguntou porque essa jovem não fazia o aborto do sétimo filho e, em sequência ,uma ligadura de trompas. 
A adolescente olhou para a jornalista com olhar de espanto e respondeu:
- Minha mãe não me abortou e nem aos meus irmãos e eu não vou fazer isso com meu filho.
A jornalista falou ao casal de jovens:
- Nunca vou entender como vocês conseguem sorrir ,abraçados, como se estivessem no paraíso.
Mais adiante outra jovem falou para a jornalista:
- Quem vai me dar emprego com esses trapos que visto? Ou acreditar que não quero mais roubar e nem viver nas ruas?
Mas a entrevistadora se encantou, no meio desse triste quadro, com o calor humano que encontrou entre os desprotegidos das ruas. Percebeu que uns cuidam dos pertences dos outros, quando se ausentam para tentar engraxar um sapato ou cuidar dos carros em estacionamentos.Notou que dividem os alimentos e se confortam mutuamente.
E viajou de volta para a Bélgica, perplexa. Nunca imaginou que fosse encontrar tanta solidariedade em meios a tanta pobreza.

                                     KATIA CHIAPPINI
                        e-mail:katia_fachinello42@hotmail.com


segunda-feira, 9 de novembro de 2015

ILUSÃO E TRISTEZA

                     ILUSÃO E TRISTEZA

Eu estava bem quieta
Ele me apareceu
Parecia ser minha meta
Mas um dia me esqueceu

O destino me desviou
Da dor da despedida
O vento veio e soprou
E assoprou minha partida

Primeiro quis antever
Que ele iria me amar
E um beijo sem querer
Quase cheguei a dar

Passei qual onda do mar
Ou como bolha de sabão
Como a estrela e o luar
Como a cigarra e a canção

À realidade então voltei
Fixei os pés no chão
Mais sonhos não terei
Para não viver de ilusão

Tristeza é tentar perseguir
Um amor que não se aninha
Novo amor pode surgir:
- Ainda não é o fim da linha

                                     KATIA CHIAPPINI





















domingo, 8 de novembro de 2015

AMOR CONTEMPLADO

                    AMOR CONTEMPLADO

Amor contemplado
Tem a chama divina
É amor guardado
É o teu e o meu- é sina -

Amor contemplado
É o que deu certo
É amor iluminado
Que se conserva por perto

Amor contemplado 
Vai se construindo
É um raro legado
Hoje e sempre bem-vindo

É bênção, é louvor
Trinca mas é restaurado
É construído com fervor
Como valioso quadro

É amor para acreditar
É como a flor mais bela
É construção sem par
É preciosa aquarela

Amor contemplado
Não quer desperdício
É pacto oficializado
É promessa sem vício

                                    KATIA CHIAPPINI

sábado, 7 de novembro de 2015

ODE AO POETA!

                          ODE AO POETA!

Liberta teus belos versos
Abre logo o coração
Em tempos ditos adversos
O verso é tua canção

Com ou sem lamento
Deixa soar a rima
Esse é o teu momento
A rima é de tua estima

A feira do livro clama
Por tua presença e talento
Um poeta chega e declama
Vem prestigiar o evento

O poeta fala a verdade
Nas tristezas e desenganos
Convida as tuas amizades
Para aplaudir ''los hermanos''

A feira é um referencial
Todas as raças se inserem
O poeta tem potencial
E suas obras conferem

Poetas estão muito além
Da motivação pecuniária
São patrimônio do Bem
E das rimas libertárias

                                    KATIA CHIAPPINI