Aquarela de poesias

Aquarela de poesias
Poesias para você

sexta-feira, 5 de julho de 2013

A HISTÓRIA DO NÓ DA GRAVATA

                        O NÓ DA GRAVATA

Existem alguns caminhos a percorrer para que se tenha êxito ao cursar a faculdade de Direito. São exigidas muitas consultas paralelas feitas nos manuais jurídicos. A leitura deve ser diária para se obter melhores resultados no curso.
Após aprovação no exame da ordem o bacharel está apto a exercer a profissão.Estar atento às mudanças dos artigos dos códigos e aos prazos processuais se constituem uma preocupação constante.
Após enviar cópia do currículo e divulgar suas pretensões salariais é preciso se preocupar com a vestimenta adequada para se apresentar em entrevistas e em outras ocasiões formais E o traje social exige o uso da gravata.
Meu filho, foi para frente da internet, na noite anterior a da primeira entrevista e aprendeu a fazer três tipos de nós, o que considerou uma bênção de Deus. Mas isso lhe custou mais de oitenta minutos, desde a visualização do vídeo até o momento de exercitar os tipos de nós, o que fez em frente do espelho, por várias vezes.
Antes disso ocorreu um fato insólito que passo a narrar :
Estando já de terno para tirar a foto para a carteira profissional, meu filho, veio a mim e disse-me :
- Mãe, estou quase pronto.Falta fazer o nó da gravata. que meu pai ensinou a senhora.
 - Sim ,vamos lá, permaneça quieto e levante a cabeça.
Nesse exato momento iniciou minha via sacra. Meu filho é meticuloso e começou a observar o nó que eu tentava fazer com uma cara de poucos amigos. Repeti por várias vezes as tentativas e o jeito de meu filho foi me dando um desconforto total. Ora reclamava do tamanho, ora do comprimento, ou de não estar bem centrada ou de não ter bom caimento.
Eu estava fazendo o mais simples dos nós, o mesmo que fazia na gravata do pai dele, como me solicitou. Comecei a suar e fiquei com um tremendo cansaço físico e mental, mas firme, sem perder a paciência.
E fiquei a me surpreender com a constatação de que um fato na vida nos dá experiência para agir em outro fato da mesma dimensão, com mais lucidez.
O que não me esperaria quando chegasse o dia da entrevista de emprego, se a foto necessária para obtenção da carteira, não me antecipasse a ideia de sugerir-lhe o auxílio da internet,  quanto ao nó da gravata ?
Lembro que argumentei, durante minha tentativa :
- Mas a foto é só da metade do corpo para cima e não procede a preocupação, quanto ao comprimento da gravata .
Bem, tratei de concluir o nó e convencer o filho de que eu tinha feito o melhor possível.
Ao retornar ainda comentou comigo :
- Sabe, mãe, o fotógrafo nem reparou no nó da gravata e só se limitou a fazer seu trabalho.
Por ocasião da entrevista de emprego, meu filho fez o próprio nó da gravata e apenas passou por mim e perguntou ao sair :
- Como estou, mãe ?
- Perfeito, desejo que tudo corra bem.
As lições da internet cumpriram sua missão. Depois disso, meu filho se preocupou em dar sequência aos estudos para fins de concurso  público, ao mesmo tempo que buscava oportunidades de emprego.
Certo dia , pela manhã, recebeu um telefonema de um escritório de advogados, já com um nome a zelar, visto ter filiais em outros Estados da federação.
Ficou animado e se preocupou em se apresentar bem vestido.
Vestiu o terno, caprichou na higiene, cuidou dos detalhes, lustrou bem o par de sapatos, quando então me chamou :
- Mãe, acho que esqueci de como fazer o nó da gravata. Como quero estar impecável,quer me ajudar ?
Ao ouvir a frase fatídica, senti, de imediato, um arrepio e , ao mesmo tempo, uma palpitação mais acelerada, devido ao susto.
E quase em pânico, falei :
- Mas meu filho, como pensas desfazer o nó do enquadramento legal de uma ação,ou o de uma sustentação oral ?
E continuando em meu raciocínio prossegui : 
- Sabes que vais enfrentar clientes de poucas luzes, juízes severos e o nó da morosidade judicial . E um sistema jurídico que deixa entrever nas entrelinhas um caminho aberto para atalhos que reforçam o nó das improbidades.
Meu filho arregalou os olhos, aflito e quase arrependido, mas esperou que eu concluísse meu raciocínio :
- Volta a praticar o nó da gravata que é mais simples do que outros nós que enfrentarás em tua trajetória jurídica, em especial .E conserva a determinação e a perseverança, ambas indispensáveis ao exercício profissional, em busca da defesa de uma conduta ilibada.
E peço-te que  satisfaças um desejo meu : 
 - O de que cada nó desfeito  corresponda a uma causa ganha em prol do bem comum e da justiça.

                                      KATIA CHIAPPINI

                      E-mail: katia_fachinello42 @hotmail.com

domingo, 30 de junho de 2013

O PORTA RETRATO !

            O VENTO LEVOU O RETRATO

Fiquei com o retrato
Única lembrança - que sina -
Emoldurado com aparato
Lindo, talhado em resina

Estava junto à janela
Na mesa de cabeceira
Limpava-o com flanela
E o sol chegava na beira

A foto sorria para mim
Trazia recordações
Adolescentes no jardim
Desvencilhando-se dos botões

Um dia ao sair de casa
Esqueci a janela aberta
O porta retrato criou asas
O vento estava alerta

Agora não vejo teu rosto
Fiquei sem eira nem beira
No coração só desgosto
A seta feriu - certeira -

Tenho outro porta retrato
Quem sabe outro amor virá
De outro jeito, com outro formato
E essa angústia passará

Quão frágil se faz a vida !
São alguns os momentos felizes
Temos que curar as feridas
Plantar novas raízes

Amores se modificam
Hábitos se transformam
As solidões se agitam
Os sentimentos hibernam

KATIA CHIAPPINI



SE EU NADA MAIS TIVER...

                    SE NADA ACONTECER...

Quando o amor eu não sele
Que eu saiba selar meu sonho
Quando não me ofertares a pele
Ofereço-me, em ti me ponho

Espero que não me renegues
Ainda conservo a esperança
A tempestade me persegue
Mas se transforma em bonança

Se eu não for o teu presente
Lembre do passado, como eu
Lá plantamos uma semente
Lá deixamos nossos apogeu

Se eu nada mais tiver...
Tive o suficiente pra lembrar
Deus me fez frágil,mulher
E tu me ensinaste a amar

Jovens, adultos ou maduros
Vivemos de imaginação
Os sentimentos mais puros
Nos levam a crer na ilusão

Um dia contemplamos estrelas
Os dois -corpos entrelaçados -
São lindas - como não vê-las -
São confidentes dos namorados

Se eu não mais for feliz
Nem vou reclamar de ti
Um dia teu corpo me quis
E em teu peito eu me perdi

O amor se reinventa
Como as fases da lua
O universo se movimenta
Pra espiar a mulher nua

Rastros de magia permanecem
Há momentos não passageiros
As almas nunca se esquecem
Quando os corpos se dão por inteiro

Vais lembrar dos sete véus
Com eles dancei ao teu redor
Viajaste direto aos céus
E eu ? direto ao toque maior

                                     KATIA CHIAPPINI


quarta-feira, 19 de junho de 2013

A ROTINA NÃO ROTINEIRA.

                   ROTINA ! NEM TANTO !

Sempre falamos mal da rotina porque a falta de imaginação para transforma-la ocasiona esse mesmismo.Mas dentro do processo da rotina é possível inovar um pouco a cada dia. Temos nossa família, nosso trabalho, obrigação de orientar os filhos nos estudos e, de certa maneira, temos que  estabelecer uma rotina. Mas é possível criar pequenos intervalos dentro dela para inovar. Você pode tomar um cafezinho, fazer a leitura de um capítulo de um livro, ouvir um lindo C.D, tomar um sorvete, olhar as novidades nas vitrines.
Entre um compromisso e outro é possível entrar na igreja para fazer uma oração, caminhar pela praça florida, convidar uma amiga para dividir e sorver a cuia de chimarrão.
Você pode levar seus netinhos para almoçar e depois deixá-los na escola ou convidar sua filha para escolher um presente no shopping.
Sua rotina ficará mais leve e  você poderá se beneficiar de novas experiências.
Convide uma pessoa amiga para ir ao cinema, ao teatro. Comente com ela o que mais gostou e aproveite para enriquecer seu conhecimento.
E a beleza das árvores, flores, frutos e pássaros ?  E as pombas comendo pipoca pelas mãos das crianças ? E os trigais e milharais ao longo da estrada ?
Tudo isso e todas as belezas da terra devem ser objeto de nossa atenção.
Em certa ocasião presenciei um fato inédito:
Uma amiga minha arrumou sua casa, comprou doces e salgados, colocou uma linda toalha na mesa. Esperou por toda a tarde e não recebeu nenhuma visita de nenhuma de suas amigas, conforme estava combinado.
Pensando nesse fato, percebi que minha amiga tinha perdido o vínculo que a unia ao antigo grupo de amizades que tinha feito. Ela se recolheu em si mesma e não acreditaram nela. Devem ter pensado que o convite foi feito só por gentileza, sem intenção de receber.
A rotina não precisa ser rotineira. Deve ser um modo de se organizar mas deixando sempre um lugar para pequenos prazeres diários.
Nada mais tranquilizante do que colocar uma venda nos olhos, deitar na cama e ouvir uma música que tire você do ar, por breves instantes, mas com significativos sonhos.
E se você tiver um foco de cada vez e quando atingir um deles já se dedicar ao outro, terá sempre motivos para fugir da rotina e ainda , de quebra, estar inserido em sociedade. 
Vencer a rotina significa se manter atento, exercitar a imaginação, semear bons hábitos, renovar as amizades e capturar momentos de felicidade em gestos simples mas de colheita produtiva.

                                       KATIA CHIAPPINI 

A FILA NÃO ANDA !

               UM ESPECIAL MOMENTO !

Estamos atravessando o momento mais esperado dos últimos anos e constatando que o povo acordou. Mas, de início, quero declarar que a manifestação pacífica é sinal de inteligência e, ao contrário, as infiltrações da politicagem devem ser banidas e responsabilizadas, e se persistirem, desvirtuarão o movimento e haverá quebra de legitimidade que a constituição garante. As barbáries não nos representam. Os feridos nos hospitais, em meio à multidão descontrolada e hostil, estão a clamar por justiça e , talvez, alguns deles não se recuperem. Nem aos policiais cabe exercer a violência excessiva e nem ao povo cabe o direito de sair quebrando os bens públicos que foram pagos com nossos impostos e que nos servem como coletividade. As manifestações poderiam ser pacíficas se apenas o policial civil ficasse circulando no ambiente, atento, mas não agressivo. E a tropa de choque poderia ficar de prontidão, numa esquina qualquer, para ser acionada se preciso fosse.
Não sou cientista política, nem administradora de mensalão, nem economista de gabinete, nem extremista de esquerda ou de direita.
Não sou dona da verdade, nem sigo a linha de D. Quixote de la Mancha, nem sou ativista , nem sindicalista, nem feminista extremada. Apenas ouço o clamor do povo injustiçado, da voz de Deus, do sino da revolta batendo mais forte, e anunciando as passeatas em prol do coletivo e de seus justificados anseios.
Sou uma simples cidadã brasileira com direito à voto, alfabetizada, adulta e responsável.
E meu Brasil chora por mim.
Estou na fila da reivindicação pelo exercício de minha liberdade e de meus semelhantes , pois merecemos viver com dignidade e com nossos direitos básicos garantidos pela constituição, sem que sejam vilipendiados.
Estou na fila com sol ou com chuva, no inverno ou no verão
E a fila não anda..

                                        KATIA CHIAPPINI
                           E-mail : katia_fachinello42@hotmail.com



sábado, 15 de junho de 2013


                                     AMIGOS DO BLOG !
Se quiserem enviar sugestões de temas para crônicas ou para um poema, é só mandar para o meu e-mail e poderei atender aos amigos.
Ao longo de 16 meses tenho elaborado esses textos para compartilhar aqui e me preocupo com a qualidade dos mesmos. Se quiserem dar uma opinião sobre alguns deles e se eu receber por e-mail, posso responder as perguntas aqui, após um determinado tempo, suficiente para juntar todas as participações.
Ou se quiserem se cadastrar como seguidores, estejam à vontade e terei imenso prazer em verificar as adesões.
Procurem ouvir o vídeo que minha netinha gravou: SHE-CHARLEZ AZNAVOUR que se encontra aqui e também no youtube. Mas no youtube é preciso colocar : katia-she.
Aos poucos vou preparar outros vídeos porque amo tocar piano ao entardecer e leciono, especialmente, terceira e melhor idade.
Conto com sua presença aqui, pois só a sua justifica a minha.
Obrigada pelo acesso carinhoso nesse recanto da tranquilidade, que vem amenizar as intranquilidades do dia a dia, bem como trazer essas gotas poéticas para a viagem dos sonhos e a paz da alma.

katia /junho/ 2013 
Colaborações ou sugestões: 
katia_fachinello42@hotmail.com  ( e-mail )

sexta-feira, 14 de junho de 2013

ESTÂNCIA SÃO MIGUEL DO SARANDI !


                     Minhas férias na Estância
                     São Miguel do Sarandi!

 Os melhores anos de minha vida foram os que passei, em períodos de férias escolares, na estância de meus tios Léo e Bebê.
Ao chegar em Livramento, eu e meu irmão passávamos alguns dias na casa de meus avós maternos.
Depois meus tios nos levavam para a estância, de uma beleza indescritível : uma paisagem inigualável que nunca saiu de meu olhar.
A estrada era precária, cheia de acidentes de percurso. Íamos de jipe da cidade para a estância. Quando esse atolava na lama, tinha que ser empurrado por meus primos e meu tio ficava acelerando até conseguir sair do buraco. Minha tia Bebê, com botas longas até o joelho, saía do jipe e entrava no lamaçal para avisar meu tio da profundidade do mesmo. E para dizer onde poderia passar com chance de vencer o obstáculo.
Uma das brincadeiras de minha preferência era fabricar licores caseiros com meu tio Léo. Ele colhia amora, ameixa, pitanga, butiá, em seu próprio pomar. Colocava tudo sobre a mesa agregando o mel, o limão, a canela e a cachaça. Eu costumava competir com meu tio para ver quem conseguia um melhor sabor no preparo do licor e meus primos eram os jurados.
Enquanto meu tio e eu jogávamos moinho, damas ou xadrez, minha tia fazia doces em caldas , renovava o assento das cadeiras de palha, fazia sabão caseiro, requeijão, cucas, linguiça, morcilha e ainda costurava e fazia lindas peças bordadas. Além disso pintava lindos quadros e sua habilidade nas lidas domésticas era um fato surpreendente.
Tia Bebê era uma mãe brasileira, mãe de todos, figura ímpar e de alegria e bondade contagiantes.
Ao acordar, cedo da manhã, meu tio e ela tomavam algumas cuias de chimarrão, antes do café. E ao entardecer repetiam a dose,.nas cadeiras preguiçosas que ficavam a disposição, na varanda. 
Meus primos, meu irmão e eu andávamos à cavalo pelo campo, tomávamos banho de açude, observávamos o trabalho dos peões..
Quando se aproximava a época da exposição em Esteio, grande Porto Alegre, meu tio solicitava nossa colaboração para preparar as ovelhas. Era ´preciso separar pequenas porções da lã da ovelha, abrindo os fios, um a um, com os dedos. A lã ia ficando bem uniforme ,com o auxílio de um pente especial que completava o serviço, deixando todo o pelo espesso, adquirindo volume e beleza. Meu tio ganhou vários troféus com as exposições de seu gado, também no Uruguai.
Outra novidade que conheci na estância foi a chegada dos mascates, que pediam pouso e comida, por uma noite, para mostrar seus produtos. Eles movimentavam as mulheres em busca de tecidos, perfumes, roupa íntima e toda sorte de miudezas que vendiam na ocasião. Os cães saiam pelo campo latindo e avisando a chegada dos mascates e suas enormes e pesadas malas. E as crianças reviravam as quinquilharias procurando algum brinquedo.
Entre outras tarefas junto aos primos eu tinha uma em especial. Precisava distraí-los longe da casa grande, depois do almoço, para que todos pudessem descansar um pouco em seus quartos.
Então, íamos para perto do açude e lá inventávamos brincadeiras para passar o tempo. Brincávamos de pular corda, contar histórias,  de jogar pedras no açude, de teatro e dança. Também cantávamos toadas e repentes que a gauchada cultivava por aquelas bandas da fronteira.
Minha tia ficava agradecida e me dizia, ao acordar da sesta :
- Muito bem, Katiazinha !
À tardinha eu costumava dedilhar o acordeon e os peões vinham com suas banquetas, sentar perto da casa.
A música fazia a moldura junto com a paisagem dos campos sem fim e do pôr do sol. Ficávamos na frente da casa e o toque musical era relaxante e agregador.
Pela manhã, um peão fazia a gentileza de bater na porta de meu quarto com o leite espumante e morno, tirado das vacas bem tratadas  e de raça pura. Eu saboreava com gosto essa preciosidade que não existia na cidade grande.
O almoço era farto com muitas iguarias típicas e a carne de ovelha no feijão deixava-o com um sabor indescritível. Canjica, carne de panela, polenta, sopa de legumes, arroz com linguiça caseira, morcilha, tudo muito bem feito, eram as opções de refeições fartas.
Como sobremesa tínhamos os doces em calda, feitos em tachos gigantescos, pela minha tia Bebê ,com nossa colaboração. Era preciso mexer o doce,  o tempo todo, até ficar no ponto certo.  Fazíamos um revezamento e um esforço coletivo. 
À noite era preciso deitar por volta de às 22 h, porque nesse horário se  desligava o gerador. Ao terceiro toque de um grande sino devíamos estar nos quartos, de dentes escovados e roupa de dormir.
Gostávamos de ver a marcação do gado, a tosa, a vacinação, os filhotes nascendo e todos os cuidados que eram necessários para conservar os animais saudáveis. Havia um pequeno galpão que era depósito de montanhas de feno, onde gostávamos de brincar.
Só ficávamos impressionados ao ver o abate do gado, um por dia, que nos servia de alimento. Havia uma poça de sangue junto aos porcos abatidos mas teimávamos em olhar, porque a curiosidade infantil é um fato.
Todas essas lembranças trago comigo e passar as férias na estância era o melhor momento do ano.  E a casa ficava cheia de crianças.
Lembro-me de meu pai perguntando:
- Não sentiram saudade de casa ?
E eu prontamente :
-Não, papai.
E lembro de uma cena que minha tia me contava e que eu gostava que ela repetisse.
Um dia,estávamos, minha tia e eu, nos balançando na frente da casa e ela me disse :
-Sabes, Katiazinha, como se deu tua chegada aqui?
-Sim, lembro-me de que cheguei à noite e logo fui dormir.
-E lembras o que me falaste na tua primeira manhã ?
-Isso não lembro, tia !
Então ela continuou: 
-Olhaste, da frente da casa, todo o campo, surpresa, e teus olhos giraram os trezentos e sessenta graus e ficaste muda.
-Ah!, lembro que fiquei admirando a imensidão do campo.
-Mas lembras o que me disseste ?
-Não.
Então, minha querida tia falou que eu fiquei estasiada e pulando em frente da casa quando , ao abrir a porta,  me deparei com aquela paisagem deslumbrante e sem fim.
E, antes que pudesse me perguntar alguma coisa, eu olhei para ela com os olhinhos brilhando e disse, aos 7 anos de idade :
- Meu Deus ! que pátio grande eu tenho para brincar !
Depois, titia me abraçou e beijou, calorosamente, deixando escorrer uma lágrima de emoção.
E esse abraço foi o melhor de minha vida. E dele tirei a força que jamais sonhei.

KATIA CHIAPPINI
e-mail: katia_fachinello42@hotmail.com