Aquarela de poesias

Aquarela de poesias
Poesias para você

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

SOBRE O AMOR

                             Sobre o amor

Amor é guarida infinda

 Quando me arrasta me basta 

 É uma travessura bem-vinda

Eivada de imaginação vasta


É hora calma, é  meu carma

É interstício, é qual paraíso

É sentimento que desarma

É causa para perder o juízo


Se for sincero eu o quero

Quem o perde fica sem eixo

Não tenho pressa, eu espero

Sou paciente e não me queixo


É hora de lançar o anzol

O amor que me habita, grita

Quero-o cortando o arrebol

Ou na madrugada que se agita


Não me oponho e me disponho

Amor é lume, é perfume

Está entre a realidade e o sonho

Entre o discernimento e o ciúme


Percorre léguas sem trégua

Inventa sutilezas no toque

Não se mede com uma régua

É preciso ter um novo enfoque


Energiza nossas veias. é teia

É misterioso, é qual candura

Convida ambos a rolar na areia

Remete à feliz juventude e pura


O amor se insere, nos espanta

Vem de uma escalada minuciosa

Entre sulcos e fendas se agiganta

Muitos os gemidos, pouca é a prosa


O amor é o melhor dos troféus

Ora acelera, ora desacelera

Caem as roupas e todos os véus

Esvaziando o compasso de espera 


KATIA CHIAPPINI


quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

RUGAS

                                 RUGAS

As rugas representam nossas vivências. São prova de nossa luta diária param vencer as intempéries. 

Soube que uma amiga minha se olhou no espelho, ao acordar, e chorou copiosamente.

Creio que ela esqueceu de sorrir pelos filhos dedicados que criou com amor e esmero.

As rugas são gratuitas e o tempo se encarrega de nos presentear com elas.

Os cremes importados apenas atenuam as linhas de expressão.

As rugas são ligadas ao trabalho hostil feito nas lavouras, estão presentes na face das mulheres que trabalham nas lidas do campo, nas chácaras, nos cafezais, na mineração, na perfuração de postos petrolíferos, sobretudo.

São rugas que indicam o empenho diário no trabalho que vai reverter em subsistência e produtividade.

Elas devem ser vistas como um sinal
que indica todos os caminhos que trilhamos para construir uma família, para honrar a própria descendência.

Precisamos nos orgulhar de nossas rugas porque não somos bonecas de porcelana que enfeitam as prateleiras.

Não chore ao se ver no espelho. Se tiver que chorar que seja de emoção, de alegria por uma nova conquista.

Se tiver que chorar que seja quando uma filha se casa, quando um filho recebe seu diploma universitário, quando a caçula da família completa seus 15 anos.

Permitam-se pensar em rugas como simples consequência de um tempo decorrido e bem vivido.

Só não vá tropeçar em seus devaneios e presentear uma amiga, em seu aniversário , dizendo:

- Oi, querida, estou lhe dando um espelho de aumento para mapear melhor suas rugas.


KATIA CHIAPPINI

ORAÇÃO

                                ORAÇÃO

Se não vier a prática da  paz

Que venha o caminho para encontrá-la 

Se não vier a virtude da  verdade

Que venha a nova era para preservá-la

Se o homem nada quiser aprender

Que venha a dor para ensinar a sofrer

Se não vier a vivência da  liderança

Que venha a vontade de se reciclar

Se não vier a era da produtividade

Que venha mais trabalho e melhor  semeadura

Se não vier a caridade e a solidariedade

Que venha a tormenta para agregar esforços

Se não vier uma nova era de mudanças

Que a esperança faça fé e chame por ela

Se não vier o bom entendimento

Que os homens rezem para não sucumbir

Se não vier a trégua como apaziguadora

Que as mortes prematuras ensinem o diálogo

Se não vier um povo altaneiro e justo

Que as dores ensinem a não gemer para sempre

Se não houver valorização do ser humano

Que a humanidade aprenda com o sofrimento

Se não vier a mudança que se faz urgente

Que nossos descendentes saibam obtê-la

Se não acreditarmos em Deus como protetor

Seremos filhos de ninguém e sem salvação

Seremos seguidores de figuras demoníacas

Seremos apoiadores das maldades do mundo

Se não vier a nobreza de sentimentos

Seremos como eternos zumbis, ou vampiros

Seremos seres sonâmbulos sem o sono regenerador

Livrai-nos de todo o mal, Deus, pacificador das almas

Só em Teus braços encontraremos a vitória da razão

Só sob Tua proteção iremos acolher uma nova missão

Ajudai-nos a amar nosso semelhante em suas necessidades

Só no amor solidário e universal seremos  os escolhidos

Que seja um amor verdadeiro e agregador, universal e pleno

Que seja um amor inserido nos parâmetros da justiça

Que seja um amor que transforme a prisão em liberdade


KATIA CHIAPPINI

 

CONVITE AO SENTIMENTO

                 CONVITE AO SENTIMAMO

Amo-te e sei que amo tanto

Mais nada preciso esconder 

Sem ouvir escuto o canto

E já sei a letra sem ler


Mas não me faço entender

Tento aparar os meus calos

Há os desafios para vencer

Mas nesse amor eu me embalo


Cerca-me um real espanto

Vejo que amo mais a cada dia

Sem saber como e quanto

Ainda me procuro â revelia


Amo em qualquer contexto

Mesmo distraída qual menina

Já decorei poemas e textos

Descobri a chave da mina


Que o amor meu mantra seja

Que nessa missão eu não falhe

Que tudo o mais se reveja

Porque tudo o mais é um detalhe


KATIA CHIAPPINI

ESTRELAS

                     


                               ESTRELAS


Estrelas, mui belas estrelas

 Lindas , brilhando no céu

Como não notar, não vê-las

Estrelas merecem um troféu


Estrelas inspiram poetas

Que escrevem suas versões

Estrelas são de emergia repletas

Preenchem a alma e os corações


No pinheirinho há uma estrela

Que está bem no alto, destacada

Os reis magos não vão esquecê-la

Porque a seguem em sua jornada


Os anjos estão nos vigiando

Zelam por nossos planos infindos

Estrelas se lançam, chamando:

- Façam pedidos, sejam bem-vindos


Temos sonhos e estrelas na alma

Que vibra quando estamos amando

No teatro da vida vamos bater palmas

Ao avistar namorados se enlaçando


Estrelas piscam, chamam, esperam

Que a humanidade volte a brilhar

Se hoje os dominadores imperam

Amanhã, talvez a paz volte a reinar


KATIA CHIAPPINI


segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

INTERNATO

                                                            INTERNATO

Aos 7 anos de idade tive uma experiência insólita.

Meus pais viajavam muito e eu precisei estudar num internato.

Quando completei a idade de ser iniciada na alfabetização, minha mãe seguiu as orientações das freiras e providenciou minha mala para levar para o internato, com todos os pertences necessários.

Viajei de carro com meus pais que não tiveram coragem de me falar o que estava por vir.

Chegamos ao colégio e uma freira me levou para visitar o meu quarto e as dependências da escola.

Ao voltar para ver meus pais, já haviam se retirado do local.

Procurei nos banheiros, no refeitório, nas salas da entrada, enquanto gritava por eles, chamando; 

- Mamãe, papai....

Lembro de ficar muito nervosa e comecei a chorar agarrada numa freira que havia me dado atenção.

Como não encontrei meus pais, me escondi sob uma grande mesa da sala de jantar e as freiras custaram a me localizar.

Parei de chorar e fiquei pensando em meus pais, sem entender essa atitude tão agressiva e chocante.

Ao anoitecer, as freiras me localizaram e pediram que fosse jantar para dormir. Eu me recusei a comer e nem queria falar com ninguém.

A freira que me encontrou disse que se eu não saísse de onde estava, eu seria castigada.

Perguntei qual seria o castigo e a freira falou;

- Vamos colocar você numa caixa de madeira fechada e mandar de volta para sua casa.

Assustei-me ao ouvir essas palavras e fui para o dormitório, escovar os dentes  para me deitar.

Na manhã seguinte, perguntei quando voltaria a ver meus pais.

A irmã diretora falou que eu precisava estudar  muito para  tirar boas notas e poder voltar à casa durante os meses de férias escolares.

Nos primeiros dias eu nem queria conversar com as outras meninas. Preferia ficar sozinha no recreio porque havia uma tristeza imensa em minha fisionomia. E minhas colegas respeitaram o meu momento.

Quando voltei para casa, meu pai e minha mãe me abraçaram e beijaram. Notei uma lágrima nos olhos de papai.

Nunca perguntei nada para meus pais, porque não queria estragar meu tempo de férias com discussões.

Não os julguei porque naqueles tempos idos, por volta de 1950, as famílias preparavam suas filhas para serem boas esposas. E só nos internatos havia trabalhos manuais, estudo de idiomas, noções de pintura e de bordados em ponto cruz, em ponto cheio. 

Com o passar dos anos, me adaptei ao internato. E fiz amizades, tanto com as colegas, como com as freiras franciscanas.

Eu tinha meu par de patins e minha bicicleta na escola. 

Havia horários a cumprir para as diversas atividades do dia a dia.

Descobri o piano e iniciei meus estudos.

Ao terminar as tarefas escolares, eu corria para a sala de música. Minha professora percebeu minha memória musical e disse que se estudasse com afinco, iria evoluir nas pautas, nas partituras, no solfejo, na percepção musical e na teoria.

Venci meus fantasmas, mas, quando estava só, meu pensamento voltava a lembrar daquele dia fatídico, ao chegar na escola, pela primeira vez.

Ainda fiquei no internato alguns anos, até meu pai ser transferido para Porto Alegre, onde fixamos residência e onde cresci e completei meus estudos.

Uma grande amiga de família me perguntou:

Por que nunca disseste para teus pais que não querias mais ficar no internato?

Respondi que entendia que minha mãe queria me dar uma formação diversificada e que eu a ouvia falando com meu pai e dizendo que, se dependesse dela, eu iria arranjar um bom marido porque era uma moça prendada. 

Mas, fui uma menina tímida, embora tenha me adaptado às exigências advindas de uma disciplina rígida.

Não aprendi a abraçar ou beijar as pessoas com naturalidade.

Acho que fiquei interna também nos sentimentos e continha minhas emoções, Não tive esse carinho de meus pais enquanto interna. Nem ouvia historinhas para embalar meu sono, como as que contei para meus três filhos.

Faltou o beijo de boa noite, o carinho no rosto, a mão acariciando os cabelos. Faltou aquela intimidade que faz contar os problemas, pedir um conselho, abrir o coração.

Mesmo com alguns barreiras afetivas, amei meus pais e agradeço pelos bons princípios que recebi e que consegui transmitir aos filhos e netos.

Se eu ficasse febril ou com tosse, ou algum desconforto, meus pais logo tratavam de chamar o médico de família que nos acompanhava e medicava, prontamente.

Mas, se o coração ficasse febril ou a alma tristonha, nem sempre meus pais ficavam sabendo desses males, porque eu tentava resolver com orações, com retiro espiritual, 

Aos poucos fui buscando interagir mais em grupo.

Quando me formei em magistério e comecei a dar aulas, precisava fazer reuniões com os pais  dos alunos, com a orientadora educacional e com a direção da escola. para tratar de ações disciplinares.

Na profissão consegui encontrar meu equilíbrio e firmar a personalidade. A timidez não era mais uma preocupação.

Tenho comigo um pensamento que me acompanha desde pequena. Penso que Deus vai saber me receber ao seu lado, com carinho, porque nunca ofendi meus pais e nem julguei sua atitude. quando me deixaram no internato.

Preferi ser uma filha atenciosa e obediente. Desse modo, meus pais nunca me bateram. Pois, bastava meu pai explicar porque eu não deveria repetir alguma travessura e eu firmava o compromisso de cumprir com minha palavra , respeitando as regras de boa conduta.

Permito-me aconselhar que todos os pais se aproximem mais de seus filhos para merecer sua confiança.

Só essa intimidade fará com que os filhos revelem suas dúvidas e seus temores e sequem suas lágrimas furtivas.
Os questionamentos são aceitos quando há uma orientação segura. 

E essa proximidade pode evitar uma série de problemas comportamentais,

Os filhos precisam obedecer aos pais levados pelo amor e nunca pelo temor que afasta o bom entendimento.

Amem seus pais e busquem entender suas razões. E façam suas reivindicações com respeito, quando quiserem obter permissão para ir a uma festa, a um acampamento da turma da escola.

Sejam amigos de seus pais e de seus avós. E esses últimos merecem consideração e reconhecimento.

Não abandonem seus velhinhos num aposento da casa. Deixem que participem das atividades da família.

Devo minha autonomia e segurança nas ações que acolho como desafios a vencer, aos ensinamentos do internato.

Minha personalidade assimilou conceitos fundamentais para um bom relacionamento.

Então, de todas as circunstâncias de vida, podemos tirar proveito.

Uma freira se dava ao trabalho de fazer minhas tranças, todas as manhãs. Quando ela precisava de ajuda eu me prontificava, imediatamente , para lhe ser útil, realizando uma ou outra tarefa que me solicitasse.

Essa solidariedade vale para harmonizar nossa vida em sociedade.

Desse modo, enquanto estive interna, descobri que gostava de ensinar minhas colegas nas tarefas escolares.

Talvez, por esse motivo, e percebendo que me fazia entender, tenha pensado em ser professora.

Não somos totalmente perfeitos e nem totalmente imperfeitos.

Entre os bons e maus momentos, há o interlúdio que nos permite viver intensamente nossas escolhas.

Muito obrigada, irmãs do Colégio Maria Imaculada de Mogi-Mirim, pelo carinho que encontrei nessa escola, no período que se estendeu  de 1950 a 1960,


                                     KATIA CHIAPPINI


 



NÃO TROQUEM SUAS FOFINHAS

                     NÃO TROQUEM

                               SUAS

                         FOFINHAS


Algumas pessoas apresentam o peso controlado, tanto pela estética quanto pela questão de saúde.

Outras, mudam o seu peso devido às circunstâncias e momentos de sua vida. 

Mas, vale lembrar que precisamos ser valorizadas por nossas ações, pelo trabalho que nos envolve, pela família que construímos e da qual cuidamos com dedicação.

Tenhamos em mente que a beleza da juventude se modifica e a silhueta se torna diferente, naturalmente.

Homens e mulheres não precisam fugir do espelho. As fases da vida impõe mudanças corporais, mentais, espirituais. Tudo faz parte de um processo esperado que deve ser compreendido e aceito. 

Os homens que buscam aventuras até podem enganar a si mesmos, acreditando que uma jovem está com eles por amor.

Também há jovens cuja ambição desmedida as leva a procurar um homem maduro e de posses para se sentirem, entre aspas, protegidas. E aceitam até maus tratos porque desejam roupas de luxo e querem desfilar no carro do ano.

Se um homem ama sua mulher, não se deixará influenciar apenas pela aparência de sua amada. Os valores, tais como, amizade, cumplicidade, compreensão mútua, respeito e veracidade, serão mais relevantes no relacionamento sincero.

Nessa linha de raciocínio, esperamos que os cavalheiros saibam apreciar uma mulher de personalidade e conteúdo. Porque todos estamos fadados a envelhecer.

Aceitem essa fofinha que está sempre ao seu lado, que comunga dos mesmos interesses, que luta para um crescimento amplo e consistente.

As fofinhas podem dar colo, podem ter mais corpo para receber as carícias. E nem vão reclamar dos tapinhas amorosos na melhor hora.

Os homens, não raro, para firmar sua masculinidade, gostam de serem vistos com pessoas jovens. Mas, esse é um jogo perigoso que pode afastar a verdadeira companheira de todas as horas. Precisam lembrar de que suas fofinhas estão na lida doméstica diária e em seus empregos, em dupla jornada. Eu diria que é tripla ou quádrupla, pois ainda precisam buscar os filhos na escola, completar as compras para suprir a casa, ajudar nos temas de casa.

Homens dedicados às famílias, saberão dar valor às suas companheiras, também das horas difíceis, porque só elas os acolhem e entendem nas vicissitudes.

Se as esposas estiverem fofinhas, isso não as desmerecem jamais.

A sociedade atual teima em nos propor procedimentos estéticos de toda ordem. Muitas vezes, por serem invasivos, ou feitos por profissionais desqualificados, deixam sequelas irreversíveis.

E a mídia teima em nos oferecer um rosto novo, um corpo perfeito, como se fôssemos bonecas sem personalidade. Há uma diferença entre a necessidade de uma correção e a futilidade que leva ao exagero.

Se uma pessoa nunca está satisfeita com o seu corpo, ela não está bem consigo mesma e requer terapia. 

Então, homens de pouca fé, não troquem aquela companheira dedicada e fofinha de suas vidas, por figuras exuberantes mas de uma futilidade gritante. Não cometam esse erro e não percam a racionalidade.

Amar, verdadeiramente, é envelhecer juntos, com carinho e cumplicidade.

Dedico esse texto a todas as mulheres de valor, que mesmo fofinhas não perdem sua majestade. E que sabem se impor e manter sua personalidade, sem precisar viver à sombra de ninguém.

Cavalheiros! convidem suas fofinhas para ir ao cinema, para dançar na noite, para passear de mãos dadas à beira-mar.

Convidem essas mulheres brilhantes para um jantar regado ao vinho da melhor safra.

E preparem uma surpresa para a mãe de seus filhos, planejando a segunda, terceira ou quarta lua de mel.

Os detalhes de simples aparência podem significar um amor verdadeiro.

Mulheres maravilhosas e fofinhas, acolham em seus braços aqueles homens que saibam valorizar a fidelidade e o respeito, bem como, se doar nos momentos necessários e mais conturbados do relacionamento.

E tenham a consciência de que uns quilinhos a mais não interferem no verdadeiro amor

Mulheres fofinhas, não percam a autoestima, mesmo nos desafios da existência.

Homens! mulheres fofinhas também esperam flores, perfumes, bombons e o reconhecimento por sua dedicação e amor sincero. 


KATIA CHIAPPINI